17 de novembro de 2008

Antes que chegue o natal

Aos meus pais.

Hoje tenho mais de 3 décadas.
E somente depois de ter vivido ´muito´,
ter ganho muitos;
ter perdido tantos;
conheci o valor do coração - e da inflação.

Graças a Deus (e a vocês), eu nunca tive uma frustração no natal.
Nenhuma.
Eu nunca soube o que é não ganhar o que pedi,
ou, simplesmente, não ganhar.
Nunca dividi meus presentes.
Nunca precisei duvidar.
Nunca precisei precisar.
Queria eu poder...
...ter tantas décadas multiplicadas para eu poder...
Retribuir os sonhos;
as conquistas;
e os sorrisos.

Lembro como ontem:
quando cheguei da Lagoa, e a caixa do Pégasus estava na escada logo na entrada da garagem.
(E nem pude notar que vocês sorriram mais que eu).

Lembro de ontem passeando, ouvir:
"Mãe, se um dia você tiver dinheiro, compra pra mim essa boneca?"
(e, por mais um ano, mais uma vez, tudo fez sentido).

Papai Noel hoje, não existe mais.
Para ninguém.

Hoje eu - acho que - entendo.

Não foram os presentes.
Foi...
estarem presentes.

Obrigado Papai Noel,
Obrigado Papai do Céu.

3 de novembro de 2008

Travessura não, travesseiro.

Recentemente fui ao neurologista tentar descobrir a origem de tantas dores de cabeça.
Após exames, concluiu-se que grande parte da latejante sensação desagradável e contínua, acontece devido minha postura. Postura?
Que postura? Postura diante a dor? Postura que eu tenho em acordar e dormir com dor?
Enfim, preciso evitar de ler e assistir televisão deitado na cama.
Primeiro passo, trocar meu travesseiro.
Puxa, como vou trocar meu travesseiro? Meu travesseiro é uma extensão do meu corpo!
Não é uma escova de dente que, se eu não gostar, jogo fora. Eu necessito de test-drive!
Passo um quarto do dia dormindo, sem contar descansos, é um período significante. Preciso de conforto.
Se fosse escolher entre duro e mole, vá lá.. mas tem penas, espumas, flocos, ar, tamanhos variados, densidades variadas, marcas infinitas.. até a NASA entrou no mercado! E os preços? De R$ 9,00 a 100,00 tranquilamente...
Então eu fico como um idiota abraçando dezenas de travesseiros nas lojas.
(Um aparentemente idêntico ao outro).
Ainda bem que no momento eu cheguei primeiro. E não tem ninguém lá experimentando (ainda). Então tomo a frente e discretamente começo meus sucessivos testes.
Dou “utas” de tudo que é jeito. Forte, fraco, moderado, aqueles de quebrar ossinhos, abraço de urso, abraço com desdém.. aliso ele, simulo - sem ninguém perceber - eu deitando sobre ele.. vejo se é macio.. mas não é o bastante!
É realmente lindo quando chega um cliente interessado por lá. Seja por alguma oferta ou pela necessidade, ele também precisa fazer esses testes ignorantes.
Como estou lá, é um barato como a vergonha desabrocha.
Todos simulam conversar. Explicar e argumentar com suas companhias, papo vai, papo vem e voalá. Dá-lhe abracinhos nos travesseiros expostos, coitados desamparados e sem lares.
Ao chegar um próximo cliente em potencial é o delírio, um quer negar ao outro, um quer fingir ao outro que não quer abraçar a bendita peça. Surge um certo constrangimento, ao meu ver porque um não quer devassar sua vida íntima. (hahaha o cara dorme abraçadinho no travesseiro).
Eu bem que queria chegar pro vendedor e pedir um test-drive. Mas tudo bem, vou arriscar em um deles.
Meu consolo é pensar “ainda bem que não to comprando colchão”.