7 de dezembro de 2009

Vida de jogo

Acho que muitos já jogaram aqueles jogos simuladores de parque de diversões, zoológico, estação de trem, casas.. Jogava muito há uns 10 anos atrás - acho - o sincity, rollercoaster, zootycoon, e via muitos jogarem o The Sims. Me chamou atenção esses dias sair uma nova atualização para o jogo Sims. (Agora na 3a versão).
É muito engraçado avaliarmos nossas vidas como a dos bonequinhos. Tente imaginar "implodir" uma porta, deixando o cômodo sem saída e logo estará de frente a um bonquinho dando voltas em torno de si mesmo procurando uma porta que "era para estar ali".
Ou quando o sinal fecha (vermelho) e seu personagem fica inquieto se movendo da direita para esquerda esperando a hora certa em atravessar.
Indo mais além, se nós fossemos os peões de alguém (Deus?!) seria curioso observar a hora em que nossa barrinha de "vida" ganha força e se preenche.
Sei que nesses jogos citados, podemos controlar a velocidade do tempo, meses e anos. Em tempo acelerado, vemos os bonequinhos correndo, levantando, indo ao banheiro, indo ao trabalho, dai ele volta correndo, toma banho, e vai pro quarto escuro dormir.
Meio louco isso né? Para um ser que ficou mais de 10 horas trabalhando, correndo em circulos num corredor, lendo, digitando, pegando papéis... tem sempre uma hora em que, estando cansado, ele retorna a seu habitat, se prepara apaga a luz e, por mais umas 8 - 9 horas, fica imóvel recebendo uma carga de energia para o dia seguinte.
(Ficar na cama e adormecer, a grosso modo é a mesma receita por exemplo da gripe, que em horas imóveis te deixa com maior resistência para ser "curado").
Sim, em imagem hiperacelerada.. é no mínimo interessantíssimo ver o boneco sair de sua morada, se sacrificar e voltar correndo para descansar. Numa espécie de calabouço ou tumba, ele ali se inquieta e adormeçe por horas no escuro.
Ô vida estranha. E quem disse que precisa ter sentido?
No final das contas, repetimos esse processo umas 30 mil vezes se preocupando com tanta bobagem, que uma hora, a carga vicia e a vida util vai diminuindo, até zerar.
Parece simples, mas é essa a idéia.
Aproveitarmos cada hora, sorrir e tentar a cada minuto, alcançarmos nossos sonhos, mesmo que por poucos segundos.
Senão você já sabe: Game Over.

2 de dezembro de 2009

K7 e Enciclopédias

Após uma longa pausa em razão dos preparativos e do casório propriamente dito, volto a postar algo.
Aliás, meus blogs estão mega desatualizados mesmo com bastante coisa para serem postados.
Então vamos lá, aos poucos vou atualizando.

Bom, ao fazer as arrumações, separar livros que traria à minha morada nova, me deparei com livros de décadas atrás. Leituras que hoje nem são mais consultadas, como por exemplo, manuais e enciclopédias.
Será que alguém se lembra dos trabalhos escolares em que tínhamos que ir até a biblioteca, abrir uns quatro volumes imensos da Barsa ou Britânica, deixando a mesa minúscula e sem espaço para copiarmos algum trecho? Que fim terá essas publicações? Nem sebo acho que aceita mais.
Isso gerou uma reflexão sobre a evolução de certas coisas. A tecnologia somada a nanotecnologia impulsionou e migrou para os dias atuais. A internet hoje substitui todos os volumes de livros. Seja romances, ficção, didático.. o Google anula esses extensos volumes que obrigatoriamente tínhamos que ter.
Livros? Agora pensemos em alarmes (algo que foi obrigado a “acompanhar” a evolução).
No início dos anos 80, quando meu pai tinha um Passat (placa AU3364), o alarme (um pino retrátil que era preciso puxá-lo para armar) ficava escondido embaixo do painel principal. E não era o mais moderno.
Hoje, com sensores de movimentos, controles via voz e som e monitoramento via satélite temos uma realidade totalmente oposta.
Ok, nem vou citar que para proteger de gatunos, levávamos nossos "tapes" em gavetinhas. Comum entrar no cinema e ver vários tijolos descansando na escadaria central.

Bom, a globalização já nos provou tudo isso e essa reflexão irá custar umas 20 “laudas” para colocar todo contexto bruto. Apenas para finalizar: E o mundo do áudio e vídeo.. nem citarei a evolução do vinil ou das fitas Betamax, mas assim como foi algo que fiquei pensando por um bom tempo, queria que você também pensasse... Ao separar as centenas de fitas VHS e fitas de áudio (hoje, ambas sem propósitos).. Lembra quando esperávamos horas a rádio tocar uma música que queríamos com o dedo no pause do gravador K7?

2 de setembro de 2009

Mensagem divina

Após fazer 8 anos de curso de paraquedismo, um rapaz sabia exatamente tudo o que poderia acontecer numa queda livre. Estudou os tópicos mais inusitados, as situações mais raras, pesquisou e coletou dados que poucas academias continham. Enfim, chegou o dia.
Ele se vestiu o macacão e se aprontou. Fez o sinal da cruz e esperou o avião decolar. Nos 10 primeiros minutos ele checou a altitude, nuvens, pressão atmosférica, corrente de ar... e eis que na hora que a porta abriu ele travou.
Por que?
Medo? Insegurança? Excesso de ansiedade? Tilt de adrenalina? Descrença em realizar o sonho?

Na prática, algumas coisas não saem como esperado. Esses dias aprendi com uma história que um amigo contou:

Após abrir a porta do avião, o paraquedista, (ou um alpinista no cume da montanha...) deve abrir os braços, sentir a leveza da alma, a realização do seu sonho, sua consciencia pra lá de tranquila, seu coração aberto, crer em sua Fé e... Se jogar.

A natureza condena qualquer movimento retrátil e, toda vez que por medo ou insegurança você tentar retroceder, ela te penalizará. Sempre.
Você nunca voltará a ficar no "ponto em que parou". Seu passo será recuado e você fatalmente irá se ferir com o "antigo" ambiente.
O "segredo" é: "Faça sua parte, que Deus fará o resto.
(não importa a religião e qual o Deus que você leitor se identifique).
Se o que você deseja vai dar certo ou não, é consequência (de Deus).
Ele guiará, ira te iluminar e dar rumos. E cabe você, na hora, interpretar que isso é bom, mesmo que no momento você teime em não acreditar.
Caso não alcance o objetivo esperado, acredite: Era para ser assim, a razao é que virá coisa melhor depois e, essa não era a hora certa.
Tome decisões, siga, avance, progrida, conquiste e vença.
Essa é a tarefa que foi dada a nossas vidas. Sempre em frente.
"Faça sua parte, que Deus fará a Dele".

R.G., obrigado pela lição.

27 de julho de 2009

O dia em que Senna morreu

Após a batida de Massa e um documentário exibido pela GNT sobre Ayrton Senna, fiquei pensando sobre os memoráveis domingos em que acordava cedo para ver os Gp´s de Fórmula 1 junto a meu pai.
Lembro que desde 82, acompanho os campeonatos automobilísticos. Na época, a revista Quatro Rodas, junto com o suplemento "Grid" encartavam uma tabela para preencher a pontuação de cada piloto. Pintando os quadradinhos de acordo com os capacetes respectivos.
De Niki Lauda, Mansell, JJJ Letho, Patrese, Nanini a Prost muitas alegrias matinais em meus domingos. Mas o dia que Senna morreu eu e com certeza você que está lendo, se lembra bem.
Tivemos Fittipaldis, Piquet, Moreno, Gulgemin.. mas nenhum piloto era tão exemplar como Senna. Seja no esporte, vida social ou particular, Ayrton sempre foi um exemplo de homem Esforçado, íntegro, competitivo, sério, caridoso.. qualidades inúmeras que segundo meus professores do PioXii, o fizeram alcançar o título de "ídolo". Mito. Herói.
Ratzmberger e Barrichelo já tinham se acidentado nos dias anteriores e, por isso, a corrida já estava tensa. Naquela manhã, até Prost o cumprimentou dando as mãos. Diferentemente de qualquer outra prova (e o mesmo confessa que até hoje não se sabe porque foi quebrado o protocolo e costume) lhe desejou "boa sorte". Senna como presságio ficou minutos apoiado no spoiler sem dizer uma palavra.
A prova de Imola comecou e para nosso desespero, o tempo de Senna acabou.
Lembro como ontem. Galvão Bueno disse "...Senna bateu forte, Senna escapou e bateu muito forte. Ele vinha em primeiro, escapou e bateu muito forte".
Eu estava deitado no sofá de casa. Meu pai ao lado. Ambos sem acreditar na seriedade do acidente.
Pitoresco lembrar que na noite anterior eu teria recebido minha maior dosagem de álcool no organismo até então graças a várias caipirinhas de limão, no saudoso bar do Cleso do bairro Cambuí. E, no amanhecer desse dia, aquela colisão curou minha ressaca. Acho que a descarga de adrenalina foi tão grande que conforme o tempo passava, e ele não era retirado do carro eu ia ficando mais agitado. E quando vi, já estava "bem". Bem preocupado.
Na hora do almoco, Léo Batista de camisa polo preta decretava a morte cerebral num plantão da Globo interrompendo o filme "Enigma da Pirâmide" que a Globo exibia na sessão de domingo antes do Faustão. Horas depois o falecimento de fato.
Minha mãe tapou a boca com a palma da mão e meu pai fez "não" balançando o rosto.
Dificil explicar mas, pelo que representou, acho que todos brasileiros lembram aonde estavam, o que faziam, se viram ou se foram avisados da trágica notícia sobre aquele "ser" que fazia questão de erguer com orgulho a bandeira nacional assim como ouvir nosso hino.

24 de julho de 2009

Sonhos

Farei uma breve reflexão sobre sonhos, não digo desejos, (nem doces), nem almejos, mas as visualizações (na maior parte do tempo) noturnas. Como tenho a necessidade de questionar o que ninguém pensa, vai lá mais algumas bobagens:

Por que tantos não se lembram com o que sonham a noite?
Por um curto espaço de tempo, você acaba se esquecendo de uma miragem, um desejo, uma conquista, uma perda. O sonho na maioria das vezes (no meu caso) representa uma alusão a algum assunto que anda me preocupando. Como podemos esquecer de algo que tanto nos representa em tão pouco tempo?
Segundo ponto da reflexão: Se bebês e cegos sonham, com o que sonham? o bebê sem nunca ter tocado um objeto, num ter visto ou vivenciado uma situação imagina o que? E o cego que nunca visualizou uma figura, objeto?
Terceiro: Eu, já tentei forçar sonhos. Ao repousar a cabeça no travesseiro, fico imaginando por exemplo uma partida em um jogo de botões. Imagino uma disputa acirrada, tentando induzir meu cérebro a continuar a partida quando adormecer, mas.. óbvio. Nunca deu certo.
Será que só eu já tentei forçar uma situação imaginária? Simular uma ida ao shopping com uma companhia agradável, uma noitada num bar...
Deixa eu citar qual sonho mais legal que eu já tive.. deixa eu pensar. Acho que são os que eu vôo. São sempre bem vindos. A sensação de leveza e liberdade sempre me fazem bem.
Cessando um pouco o vislumbre, será tão anormal eu ficar questionando esses assuntos?
Aliás, desde o dia que eu comecei a por em cheque a velocidade da respiração, acho que devo ser meio anormal mesmo....
Como imagem do post ia colocarum doce "sonho", mas acho que além de desvirtuar, iria chamar tão pouco a atenção que menos pessoas se interessariam ao post. (ou por se assemelhar a uma receita, chamaria mais?)...
enfim, para não ser considerado um post totalmente inválido, deixarei palavras contrutivas para enriquecer nossa cultura e conhecimento.

De acordo com a mãe de todos (wikipédia, esposa do google), o sonho para a ciência, é uma experiência de imaginação do inconsciente durante nosso período de sono. Descobriu-se que até os bebês (no útero) têm sono REM (movimentos rápidos dos olhos) e sonham, não se sabe com o quê. Numa abordagem psicológica, o sonho sempre demonstra aspectos da vida emocional.
Ele pode ser dividido em 4 estágios:
1) Começa com uma sonolência. Dura aproximadamente cinco minutos. A pessoa adormece. É caracterizado por um EEG semelhante ao do estado de vigília. Esse estágio tem uma duração de um a dois minutos, estando o indivíduo facilmente despertável. Predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contração e dilatação pupilar. Nessa fase, a atividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente.
2) Caracteriza-se por a pessoa já dormir, porém não profundamente. Dura cerca de cinco a quinze minutos. O eletroencefalograma mostra freqüências de ondas mais lentas, aparecendo o complexo K. Nessa fase, os despertares por estimulação táctil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no anterior estágio. Aqui a atividade onírica já pode surgir sob a forma de sonho com uma história integrada.
3) Tem muitas semelhanças com o estágio 4, daí serem quase sempre associados em termos bibliográficos quando são caracterizados. Nessas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. Esse estágio tem a duração de cerca de quinze a vinte minutos.
4) São quarenta minutos de sono profundo. É muito difícil acordar alguém nessa fase de sono. Depois, a pessoa retorna ao terceiro estágio (por cinco minutos) e ao segundo estágio (por mais quinze minutos). Entra, então, no sono REM.

16 de julho de 2009

Manias

Pensando num tópico antigo sobre Meme´s, fiquei lembrando das loucuras e manias que cada um tem.
Estranho pensar em situações cômicas, incoerentes e subjetivas.
Para cada um, uma mania mais estranha que a outra.

Divertido porque as minhas manias, de certa forma - para mim - são normais e justificáveis. Mas "aceitar" manias alheias que é o desafio.
Além das tantas já postadas, (lencol, palavras invertidas, marcar livro, combustivel....) lembrei de mais uma:
- Calçar SEMPRE o pé direito primeiro.Chinelo, sapato, tênis, ... sempre existe a necessidade do pé direito ser calçado primeiro.
Então esta aí mais uma mania, mais um post.
Quem quiser se habilitar e postar outra mania estranha, fiquem a vontade.
Vou continuar me divertindo procurando noias alheias!

Ao vento (ato 1 e 2) *

A verdade
Em verdade, a verdade sempre é será verdadeira?
Não! a verdade sempre tem e sempre terá sua mentira.
Por outro lado, a mentira sempre terá seu lado verdadeiro ...
se tornando uma brincadeira ( e como sempre, com todo fundo de verdade)
A brincadeira mentirosa é verdadeira ?
Sim, mas irreal (e inexplicável).
Mentira verdadeira ; Verdade mentirosa
existência passadora / existência permanente / existência irreal = inexplicável!
A existência acabará sendo sempre uma dúvida (loucura !)
Sempre seremos (teremos) dúvidas (loucuras).

A esperança (a ajuda)
(...)
Esperança . Porquê alguns esperam algo ?
Esperam para ver ; esperam para prever ; esperam para esperar ( o futuro )
Para que esperar algo que não se pode mudar ?
É por isso que a esperança, a única e última coisa que temos é tão nossa e importante .
Ninguém, e ninguém tem o direito de nos limitar, encurtar, diagnosticar e tirar uma ou qualquer (toda) parte dela;
É tão nossa (e pessoal) que somente eu posso ouví-la .
Ela nos salva, nos ergue, nos faz chorar, nos faz viver e morrer .
Na pobreza, na doença, na solidão, na rejeição, na votória e na derrota, ela é tudo o que temos;
E sempre caberá a nós (e somente a nós) não a abandoná-la.
Se aprece, faça uma prece, te espero para te ajudar com toda esperança (que você -já- tem).
Não se esqueça, apareça. Não suma, apenas se una (com você e sua esperança). Assuma.
Tenha calma e fé; alguém lhe ajudará.
Tenha esperança, que você não se cansa.
Feche os olhos, se concentre, tenha forças.
É somente você.

* Agosto / Setembro 1996

14 de julho de 2009

Olho no lance

Muitos devem saber que trabalhei muitos anos com fotografia. (muitos anos mesmo!)
Cobrindo festas, polícia, acidentes, famosos, buracos, políticos, operações federais... fiquei muito tempo fotografando futebol.
Engraçado que eu ja fiz de tudo um pouco. E vi de tudo mais do que um pouco.
Mas nunca vi um gol do Rogério Ceni. Fotografei ele erguendo os punhos, comemorando títulos em finais de campeonato. Mas gol, necas de pitibiribas.

Em 02/07/05, escrevi essa foto legenda:

É impressionante! Nunca fotografei, aliás, nunca VI ao vivo um Gol do Rogérico Ceni.... E EISSS que na metade do 1o tempo surge uma falta na boca da grande area oposta. Foi muito interessante. Todos parados.. olhando a colocação da berreira e sem NINGUEM chamar ou ATE olhar, o Rogerio ja veio andando.. do gol até a meta oposta para chutar. Putz, na hora eu vibrei.. o cara tem feito gol TOOOODO santo jogo na Libertadores.. vai fazer aqui...Corri que nem Carl Lewis para o meio do campo... pq quando ele faz, ele volta comemorando pro gol.. seria o angulo ideal para fotografa-lo comemorando. Fotometrei, fixei o foco nele.. e nem liguei para focar o gol.. ou me importar em seguir a bola entrando.
Fiquei nele, deixei a máquina em vertical, ouvi o apito, meu dedo já semi-pessionado e.....
Eh isso aí que voces estao vendo.
Até agora não sei aonde a bola foi parar.

E, o mais curioso:
Ele voltou a minha cidade mais algumas vezes depois. E eu, sempre lá.
O dia que eu não fui, ele fez.
(Um ano e meio depois).

Esse texto é apenas para movimentar esse blog.
Muitas idéias, muitas inspirações, muitos rascunhos e claro, muita preguiça.

29 de maio de 2009

Seguindo estrelas

Radar danificado, bússula viciada;
Mapas incompletos, navegadores incompetentes.

Quando tudo parece se perder,
aposte na precisão da posição das estrelas e na velocidade e altura das marés.

Velas e âncoras à deriva. De Deus.
Confiar somente no que é enxergado e captado.
Pelo coração.


Sentidos apurados, olhos atentos;
Companhias certas e, sempre, guiado pelo instinto.
Do coração.

26 de maio de 2009

Sol de chuva

Semana cansativa, trabalho exaustivo.
No intervalo, fumaça do café.

Sol de chuva chapando meu rosto

estatelando minha sombra na calçada.
É o bastante para pensar no fim de semana...
lembrar de você

e sorrir.

25 de maio de 2009

Antídoto: placebo

40 watts iluminando
promessas cercadas
de sorrisos e confissões.
Sonhos realizados, lágrimas sofridas
e desejos a conquistar.

A montanha russa *

A bebida russa, a montanha russa, a roleta russa.
todos com o mesmo objetivo: a provação. Vontade em vencer o desconhecido.
Não importa o frio, a falta de calor para beber e se manter aquecido, o suor frio, o frio na barriga para provação de um brinquedo, o sangue frio de desafiar a morte.
A nós, importa a estupidez humana, a loucura de uma paranóia. Pagar para sofrer.

Dirigir por dezenas de minutos, se expondo aos perigos, irritações e má sorte.
Enfim, se chega ao parque - das diversões. A risada é forçada, o dinheiro -que muitos não têm- é desperdiçado, para desafiar, passar mal, medo, num “brinquedo”. Carregado e engatilhado (e muitos ainda julgam seguros e eficazes).
Você escolhe de logo o pior e o mais caro.
Você compra o bilhete, o ingresso, a entrada: O convite.
Se paga pra perder algo que nunca vai ter. A coragem.

A montanha russa, enorme mostro, cova dos leões, desafiada por você.
Um gladiador, um lutador que um dia quis chorar, um simples humilde homem que um dia quis ganhar.
A cada passo, se inferioriza. Diminui, se empobrece, se enfraquece.

Chega a hora e você dá o ticket, carrega o tambor, cambaleia, assento a postos, a trava -totalmente insegura- se mostra ser satisfatória para desafiar a vida, e você se sente amarrado, preso e amordaçado. A velocidade começa a aumentar e você começa a girar. Órbitas.
É a primeira queda, apenas a primeira em relação as outras milhares que virão.
Se agarra ao cinto, a uma trava e fecha os olhos.
Como uma bebida amarga, comprime os olhos, numa amargura não só em sua boca, mas em sua mente e coração.
Gira o tambor e o brinquedo começa funcionar.
Lentamente o destino traçado vai se escrevendo. Mais um dia, sua vida.
A hora do disparo, um grito no escuro.
Ninguém pode te salvar.
Ninguém quer te salvar.

Você, preso numa cadeira semielétrica -por escolha própria-, querendo viver.
Você, chamando problemas, criando absurdas situações que em um dia mudará (para melhor?).
Você, apenas você, lutando contra o mundo e principalmente, contra você.

* Março de 1997

20 de maio de 2009

Soulmates never die

5 metros quadrados
4 pés aquecidos
3 palavras mágicas
2 travesseiros
1 objetivo comum

17 de maio de 2009

Frenesi

Carne ao tubarão
* Após a bola estar ajeitada na marca penal, naquela olhada rápida ao goleiro, vê-se claramente ele rir e apontar "aqui, chuta aqui". Mesmo que não seja seu desejo, a vontede de massacrar, humilhar chutando ALI vem a tona. Você toma distância e como num tiro paga pra ver.

Sangue ao vampiro
* Verde. Carro lento a frente, sinal amarelo - "caramba, ele vai parar". Você já está embalado. Pressão no pedal, aumenta a velocidade, diminui a marcha, aumenta o giro, e eis que ele passa. Vermelho. Um. Dois segundos... Você pisa até o fundo.. e passa. Também.

Fôlego tomado do paraquedista em queda livre
* Churrasco entre amigos. Brincadeira de empurrar na piscina e jogar água. Balde cheio. Todos duvidam que você comece a brincadeira (pra valer). Ameaça. Uma. Ameaça duas. Olhares atentos. Nós dos dedos brancos bem apertados à borda do balde. A água voa. Quem mandaram duvidar.

Para os adeptos, manter o corpo suspenso por ganchos
* Último minuto de prova. Última questão a responder. Todos entregando a prova. Seria "C" ou seria "E". Sinal tocando. Caneta a postos. Advertências, todos parando de escrever. Finalmente... "E".

13 de maio de 2009

-·-··-··

Acabaram de me ligar.
Ele partiu.

Deixou cravado em nossas lembranças todos momentos memoráveis, engraçadíssimos e repleto de sacadas rápidas.
São tantas qualidades. Inteligente, sutil, sagaz, bondoso...

Como um filme em exibição, entro no meio da sessão sem entender o que se passa.
Cenas alegres que se sucedem e nunca terminam.

Nunca terminarão.

Grãos *

Muito tempo se passou;
muito tempo se esperou;
muito tempo se ganhou.
Tempo, para pensar;
tempo, para esquecer;
tempo, para viver;
tempo, para mudar.
Um tempo onde a espera fora ignorada e esquecida
(Uma espera como uma esfera) - sem saber o começo e o final
Uma espera sem (pequenas) angústias
Um tempo se esperou, um tempo se perdeu, muito tempo se ganhou.
Bastou paciência, bastou acreditar em você (mesmo),
bastou acreditar em ignorar (as maiores e únicas preocupações),
Bastou ignorar o Tempo (perdido).
Esse tempo que fez baixar a poeira para enfim se enxergar (e voltar ao mesmo ponto)
Estava num deserto, sem ninguém
Estava com sede, sem a preciosa água (e até tinha o inútil do dinheiro para comprá-la, só não sabia onde)
Se eu corresse, eu me cansava;
Se eu esperasse, eu morreria;
Se eu pensasse, me torturaria.
Foi quando um tufão se aproximou, um redemoinho (de problemas) se despertou,
A ventania veio, as areias se enfureceram.
jorravam angústia, força (de vontade), desespero e raiva
queriam machucar, queriam derrubar, queriam destruir (o pouco que já existia)
A areia subiu, entrou nos olhos, arrancou as poucas raízes que existiam,
Com os olhos fechados achei que o céu tremia e o chão rachava,
Ignorei os milhares de grãos existentes (nos olhos) e no ar,
Se eu não tentasse abrir, se eu não lutasse (contra mim mesmo) eu morreria.
ali, sem ninguém me ver, sem ninguém me escutar, sem ninguém me procurar.
Com coragem, ignorei os grãos, me fixei ao chão, ao cume de uma duna.
A ventania se acalmou, a areia baixou e eu, enfim, enxerguei.
Estou novamente ao deserto - vivo -, sem ninguém, sem a água e sem comida.
Estou novamente ao deserto - vivo -, esperando outro tufão.
Estou novamente ao deserto - vivo -, apenas vivo.


* - Março 1997

9 de maio de 2009

Você já foi crente?

NÃO! não é um tópico de religião. Acontece que escuto esse termo desde o primário escolar. Naquela época, era aquele que só tirava nota máxima. "Fulano é mó crente". Por força da galerinha a palavra ganhou força e esse era o termo. (Hoje, mesmo com a ajuda do dicionário Michaelis, não sei o que realmente queriam dizer. Depois dessa fase, crente passou a ser sinônimo de pessoas que não podem ver Tv ou cortar o cabelo).. mas isso já é assunto para outro post. Ok, mudando o termo para Crânio.
Você já foi um aluno Crânio?; CDF?; Nerd?; Nota10? ou simplesmente "O MELHOR ALUNO DA CLASSE"?
Em recordações, no primário, ginásio, colegial e faculdade conheci muitos. E nunca fui um deles. Logo nos primórdios, Eduardo usava sua Poly laranja 0.7 (todos usavam a 0,5) e eu achava que o segredo de ir tão bem era tendo uma lapiseira de grafite 0.7 mm ou falando QUAtorze e não catorze (termo que até hoje utilizo). Enfim, o cara só tirava 10. E ninguém tinha chances.
Anos mais tarde, uma japonesa chamada Melissa. A única a acertar uma questão de Ciências sobre as nuvens. Assim, foi a única a ganhar 10.
Na faculdade, Jacóbson surpreendia todos. Nunca abaixo de 9, era nota alta certa em todas matérias. Falava japonês e inglês fluente, era ex-militar e mesmo com naturalidade chegava a constranger a classe.
E vc? Já foi o crânio da turma?
Eu apenas ia bem em cursos paralelos como inglês e computação. Mas isso não conta. Carambolas, será que isso mudaria algo hoje? Seria almejado, cresceria com uma super auto-estima. Mas não, era aquele cara regular.
No colégio, era até divertido. Esses crânios viviam de certa forma isolados. A maioria que os cercavam era parasitas, diziam ser amigos mas, na realidade, queria nota.
Eram procurados apenas na hora de fazer trabalhos e em provas em duplas ou grupos. O cara mal sabia, mas bastava o professor dizer que iria ter trabalho ou prova que, mesmo sem o fulano saber, ele já estava no grupo de pessoas que ele nunca conversou.
Isso sem contar o fim de ano. Pessoas penduradas e desesperadas por notas que se aproximavam na maior cara de pau para tentar ganhar um parceiro.
De prova.

6 de maio de 2009

Sonho

Acordei assustado e inquieto, lembrei que era véspera de prova.
Daquelas bem difíceis. Da classe toda temer e nada saber.
Pra variar, eu - também - não estava preparado.
Despertei com a respiração alterada e com medo. Não queria tirar nota baixa.
Pensava nos conselhos de sempre "por que não vai revendo a matéria e anotando as dúvidas todos os dias após as aulas? Assim, quando chegar a prova, só retome os pontos já vistos e estudados".
Agora era tarde, a noite estava passando e a prova, chegando.
Compensava 're'ler o que faltava? Tinha 3 horas, ou seja, precisava entender a matéria nesse pouco tempo. Compreender uma página em, no máximo, 10 minutos.
Vencido pelo cansaço, insegurança e incertezas, voltei a dormir.
Acordei as 7 em ponto.
Fiz força para lembrar qual era a matéria da prova.
Sonado, levei cerca de 3 minutos para me contextualizar e acreditar.
Não tinha prova. Não tinha aula. Não tinha matéria alguma.
Eu já havia me formado e estava trabalhando.
Ganhando e não mais pagando.
Que absurdo. Não podia ser possível tamanha realidade.
O mesmo frio na barriga das provas que tive.
Que sonho voltar à essas provas.

Nada em provas. Tudo em sonhos.
Pesadelo gera pessimismo?

Escuridão *

Mesmo que passe todo o tempo necessário,
sempre será cedo para - saber/conhecer/lembrar -
Deste jeito , nunca poderei saber ,
serei sempre jovem demais para acreditar em certas verdades
- que eu não poderei ( e nem conseguirei ) esquecer jamais -
Espírito lembrado , coração quebrado , destino separado :
Impossível de ser curado

Nunca poderei acreditar para encarar a verdade
Assim , o tempo vai passando e eu esquecendo
- O que aconteceu ?
- Nada ( sabendo que o nada é E sempre será o tudo - de bom e de ruim ) .

O medo de entrar e encarar a noite, apagar a luz e tentar dormir
O medo de - sozinho - pensar em algo bom e tentar dormir olhando o teto escuro e sem fim
O medo que nos toma conta quando sabemos que devemos pensar em algo para não ser perturbado pelas obscuras sensações do medo

E enfim , dormimos ... pela fraqueza de tantas preocupações e paranóias
Dormimos devido ao desgaste de tantos problemas ( inventados ) e procriados .
Acaba a noite , começa a lembrança
querendo o esquecimento , detestando o acontecimento
acaba a lembrança , começa a noite

Sozinho no meio de tantas pessoas
desacreditando delas e do tempo perdido por elas .
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - sair dessa roda de colegas ...
tentar fugir , quem sabe sozinho , para me encontrar ;
e , em algum momento me enfrentar para te chamar e te enfrentar
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - escolher você no meio de tantas outras
para que , (quem sabe sem medo e com certeza) saia , sem olhar para trás
com coragem suficiente para te ignorar ( para sempre ? ).

* Fevereiro de 1997

4 de maio de 2009

Tudo sob controle

Sábado a noite, quase domingo, barzinho lotado. Gente bebendo, loiras rindo, garçom correndo, fila para o banheiro e na TV: Vale Tudo MMA.
Legal. Sangue espirrando, sexo masculino em peso acompanhando o esporte.
Tudo indo bem até que chega... Claudinho Parede. E ele não veio sozinho. Trouxe o mais temível companheiro. Seu parceiro de aventuras. Mais sincronizado que Batman & Robin.
Sim, e pior!... ele trouxe.. seu controle remoto universal.

Universal. Essa palavra até coloca medo.

Todos se divertindo até que "misteriosamente" todos monitores LCD de 50 polegadas passam exibir Zorra Total.

Olhares confusos. Conversas interrompidas. Missão cumprida.

Próxima parada, Blockbuster.

Ao deleite dos fãs de Xmen, muita ação, correria... momento crucial para o Wolverine saber sua origem e... aparece uma pescaria no Canal Rural.
Claudinho estica vagarosamente suas covinhas em direção às orelhas.
Esse é seu vício. Isso o faz feliz.
E, como se não bastasse, ele quer compartilhar sua felicidade. Obrigando todos a assistir o mesmo programa que ele.
Exato. Jornal Nacional perto de Claudinho? nunca!
"No Brasil, a gripe suína marcou ser recooooo****" (chiados/tela azul) -> cartoon network!
quem, onde, por que? Sim meus amigos. Ele mesmo. Claudinho Parede.

Começam os batuques indianos da novelinha das 8 (que na verdade é 9) e em 2 minutos lá está ele sacando seu fuzil de pilhas e controle óptico.
Splash! Jogo de golf. Isso prova que ele nem precisa gostar do programa, as vezes, basta apenas atrapalhar.(Rezem para que isso aconteça na casa dele - somente!). Namastê o cacete, Mtv neles!

Agora, após o desabafo, já sabem.
Se no melhor momento do filme, novela, noticiário, jogo ou simplemente ao abrir o portão de casa... acontecer algo... Chequem imediatamente o ambiente. Claudinho pode estar perto de você.

E ele nunca está sozinho.

28 de abril de 2009

Momento cultural

Antigamente, todas duvidas de palavras desconhecidas eram sanadas com um grito em comum. "Veja no pai de todos".
Sim, o Aurélião. Aquele calhamaço com mais de 2 mil páginas, uma bíblia portuguesa em folhas mais finas que papel higiênico.
Hoje, com tudo cyber, em um clique, o novo pai (ou seria neto de todos?) é o google.
Mas... o que você sabe sobre o Aurélio? além de ser um dos poucos nomes próprios a posssuir TODAS vogais, descobri algo a mais.
Alagoano, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira era (morreu em 89) primo do Chico Buarque (cantor), pertenceu a Academia Brasileira de Letras em 61, e como fato curioso, destaco que, com apenas 14 anos (1923), começou a dar aulas particulares de português.
Vivendo e aprendendo.

27 de abril de 2009

Lero Lero

Fazendo hora, fiquei sapeando na net.
Pulando de blog em blog.
Conhecendo enderecos estranhos, blogs diferentes, diagramacoes interessantes, pessoas esquisitas, situacoes inusitadas, textos criativos e frases curtas.
textos curtos.
ideias rapidas.
Oras, porque meus textos sao tao longos?

21 de abril de 2009

Raios

Beto estava morrendo de fome.
Também pudera, uma baita chuva dessas, não sobrava muitas opções além da periódica visita à geladeira.
Escolheu queijo. Pegou 2 fatias de pão de forma com centeio e com um equilibrio pouco usual abraçou a torradeira.
Após apoiar o eletrodoméstico na pia, relaxou os braços soltando os produtos no mármore, agora bastava ligar a tomada.
Foi quando sua vida começou a mudar.


No exato minuto em que colocou a tomada no buraco da parede, lembrou que o fio estava desencapado.
E como ninguém tinha mais azar que ele no mundo, escutou-se um trovão e aquele raio que você só enxerga nos vídeos da Discovery Channel, atingiu a rede elétrica da sua casa.

Beto foi atingido por uma descarga elétrica de milhares de volts.
Ficou trêmulo, babava. Seus olhos viravam e numa espécie de convulção ficou encolhido no chão por alguns minutos.

Achando já estar morto, abriu os olhos e quis conhecer o paraíso.
Assim que apoiou a palma da mão no chão para se levantar, não reparou, mas ele acabara de abrir dois rombos no chão.

Quando ficou ereto buscou equilíbrio.
Sentiu o cheiro de queimado quando sua mão segurou o batente da porta de madeira.
Ao retirar a mão, via-se claramente o molde da mesma em cor acentuada.
Percebeu que seu corpo estava diferente.

Possuía a maldição de acelerar partículas.
Derretia, fervia coisas ao menor contato de suas palmas.


Uma descarga de adrenalina percorreu eu sistema sanguíneo.

Parecia estar curado do choque levado.
O mesmo que o projetou longe de onde estava.

Comecou entender que sua vida não era mais a mesma.
Com somente o indicador levantado, encostou na parede e logo o viu, através do contato, sair uma pequena fumaça.
Apertou-o mais e ele começou atravessar a matéria.

Riu. Ele era um super herói. Um X-men.
Um monstro capaz de conquistar o que quisesse.

Pensou em riquezas, mulheres, fama e status.
Imaginou dando entrevistas e exibindo seu poderio ímpar.
Ao mesmo tempo, idéias como "devo usar máscara" para permanecer anônimo com seu poder passou por sua mente.

Quis avisar seu melhor amigo e, quando segurou o gancho do telefone, como um pegador de saladas, fez os dois bocais se encontrarem, devido a base central estar sendo derretida.

Largou e, tentando contextualizar a imagem do gancho derretido com sua palma da mão intacta, não chegava a uma conclusão sensata.

Correu até o quarto e, ao pegar o celular, tentou, de maneira rápida, digitar o número de seu pai.
Como era o esperado, no terceiro dígido ele já havia produzido três furos no aparelho.
Ficou em pânico, desesperado. Precisava de ajuda.
Sem perder qualquer segundo, saiu correndo.

Derretendo a maçaneta da porta de entrada, girou e ganhou o gélido vento que espirrava pingos d´agua da chuva, ainda forte e barulhenta.
Protegeu seus olhos com o ante-braço enquanto caminhava até o portão.
Ao tocar o portão, liberou uma energia incrível.
Somado ao poder da cerca elétrica, a máquina próxima as engrenagens do portão eletrônico devolveu, numa espécie de curto-circuito, a dor que ele estava causando ao mundo.
Não podia brincar de ser Deus.
Caiu de costas no gramado e, olhando o céu negro despejando toda fúria da tormenta tempestade, deu seu último suspiro.
Foi assim. Veio e foi como um raio.

Sonata para um homem bom

Ela estava ali.
Bem pertinho.
Acompanhava todos seus movimentos.
Eu a vigiava e timidamente esperava chegar mais perto, para, quem sabe, poder oferecer um sorriso em troca de sua beleza.

Ela parecia impaciente.
Ameaçava ir embora.
Sob a pressão de perdê-la (para sempre),
comecei a ficar preocupado.

O Tempo estava correndo

Direcionei minha face ao chão e,
com os olhos fechados, por alguns segundos fiz uma prece.
Pedi que acontecesse algo.

Foi então que olhei para o céu.
Ela não estava mais lá.

Nunca a flor *

Sem muito a entender , mas com muito a conhecer
Ainda é muito cedo para saber ( sempre será )
Nunca conhecerei o saber , pois nunca saberei conhecer .
Talvez , uma dia - tarde demais - descobrirei que esse
- que já se foi - já sabia o que acontecia .
O que acontecia num mesmo lugar ,
mas nem sempre com as mesmas coisas .

Existindo uma razão , estarei de prontidão ( a preocupação )
Uma vez , quem sabe quando , possa correr ( contra a maré do tempo )
A imensidão da questão - a dívida - ,
era a dúvida dividida entre o tempo e a separação .

Tempo em que acreditar em verdades mentirosas era ( e sempre será )
melhor do que acreditar em mentiras verdadeiras .
Um tempo , uma vida , e , mais uma história .

Sustentado pela vida , testado pela morte e ignorado pelo tempo ,
percorria -ferido- um caminho ,
que seus pés ( e nem sua alma ) conhecia .

Não conhecia ninguém ,
não tinha nada a não ser sua esperança ,

e torcia para ninguém

You could be blind
You could be fine
You could be...
- only in my mind - mine .

* - Janeiro de 1997.

19 de abril de 2009

Blogagem coletiva - Quem foi seu Monteiro Lobato?

Recapitulando:
"O desafio trata-se de um convite oferecido ao blog Fio de Ariadne Jorge Zahar Editor, para uma blogagem coletiva no dia 18 de abril, dia em que se comemora o Dia Nacional do Livro. (C
riado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002 em homenagem a Monteiro Lobato, figura marcante da literatura brasileira, atuante como escritor, crítico e editor).
Com essa proposta, ao mesmo tempo, será possível lembrar a data, falar de Lobato e discutir um tema importante: Como são feitos os leitores? Como eles nascem e como são moldados? Com esta coletiva Ariadne busca a resposta para a seguinte pergunta: Quem foi seu Monteiro Lobato? Houve alguém na sua vida que tenha sido incentivador de seu amor pela leitura? Qual foi o pontapé inicial da sua jornada por este mundo apaixonante que é a literatura?"

Seguindo a corrente, extraida do blog da Gisa, vamos lá.


Meu monetiro Lobato foi ...
Monteiro Lobato!
Putz, que grande mentira. Minha mãe comprou diversos livros dele (aquela coleçãozinha amarela) e eu nao li nenhum.
Lia diversos livros e parava pela metade então livros INTEIROS, o que li vários em sequência.. deixa eu ver.

Meu primeiro Livro? Chama-se "O Tapa". Era sobre uma briga de irmãos. Livrinho fino, inafantil, umas 20 páginas para escola. Comprei na Livraria Romano ao lado do colégio. Li no carro mesmo. Foi divertido porque ninguém acreditou. "Duvido que você já o leu".
Isso de certa forma agradava meus pais. Meu pai em especial, jornalista, lia quase um livro por semana, e isso de certa forma, o orgulhou.
Na escola, sexta série, tínhamos o clube do livro. Era a disputa para ver quem conseguia ler "O Mistério do Cinco Estrelas", "As minas do rei Salomao", entre outros.
Enfim, meus primeiros livros não tiveram um autor em comum. Quis ler muitos Sir Arthur Arthur Doyle, mas nunca os acabava...

então vamos para os que eu li diversas obras e inteiros.
Meu monteiro lobato é!...
The winner is:
Paulo Coelho.
Engraçado. Li na época uns 8 seguidos. Gostei do tom "sobrenatural". "por quê tantos compram seus livros?". Ele já emplacava três ou quatro na lista dos top10. "Porquê?". Eu tinha uma coisa em mente. Descobrir se ele era charlatão ou não. - Resposta que até hoje não conheço. Mas seus livros me trazia algo mais.
No fundo eu não ligava se era mau escrito ou revisado como dizia a crítica.. eu queria mais. Eu queria saber aonde entraria uma falha de continuidade. Uma brecha onde eu pudesse dizer "Ahammm eu sabia! eh verdade/eh mentira!!". Queria entrar na magia, descobrir o sobrenatural da vida e do universo. O segredo para ser feliz.
E foi nessa época que comecei a comprar livros. Digo mais. Nessa época descobri amar livros.
No dia que comprei "O Monte Cinco', diante de suas quase 600 paginas descobri algo que até hoje me fascina: "600 PAGINAS!" Que orgulho. Vou adorar devorar cada uma delas.
QUANTO MAIS EXTENSO, MELHOR! Mais vai demorar eu chegar no final. Mais vou me deliciar.
E assim que li todos seus livros, esgotei sua bibliografia, me vi perdido. Orfão.
O que fiz? Criei coragem de encarar meus medos.
Sim, o mestre do terror. Aquele que fale de ETs! (meu grande medo!)

Stephen King.
Acho que King me trouxe à realidade da literatura.
Logo após A Maldição do Cigano e Carrie (!) - meus primeiros, comecei a partir a livros... gigantes, mostruosos, e claro, sobre ETs.
Foi quando comprei "O Apanhador de Sonhos". Umas 800 páginas. Lembro que gastei uma grana alta pra época. Enquanto muitos gastavam em bobagens (ao meu ver), eu gastava em livros. (E quando acabou, tive que conhecer Sebos!).
E o medo do livro ter 800 páginas falando de ET? risos
Quebrei essa barreira.
Mas King - O Rei - Me deu a máxima lição: Inventar; Criar.
O seu poderio criativo era intenso. E isso me deixava muito intrigado. Como uma pessoa podia me deixar tão sem-graça com cara de "hãm", pois cada livro que eu lia, eu tinha que reconhecer. "Que idéia massa!".
E assim foi, dezenas de livros seguidos.

Depois minha meta era "zerar" autores. Saga de Zé Lins do Rego, pulei para o primo-irmão de King, Robin Cook, mas quanto mais eu lia mais eu descobria que o leque de titulos e autores aumentava... Eu já estava seguindo diversos autores e comecou a ficar difícil ler tudo de todos. Nessa fase descobri meu minha grande obra. "A Caverna / Saramago". Esse cara me deixou atônito. Era um Vidas Secas contemporâneo. Era uma contrução literária, gramatcial impecável. Eu o invejei ali. (E depois então, vich!).
Depois veio a fase Harry Potter e Senhor dos Anéis. Até que encontrei um autor nacional que me chamou atenção. Andre Vianco? Não.
Ivan Sant´Anna. Seus livros sobre desastres aéreos me deixou com fome de leitura. A temática que aboradava aprendizado e uma longa abordagem sobre provas, relatos e uma rica gama de investigação me fez maravilhar com investigações. Plano de Ataque, Caixa Preta, Rapinna, Mercadores da Noite foi só o começo.
Dai veio Caco Barcellos com o jornalismo de humilhar qualquer livro reportagem da história já escrito.
Hoje perambulo com contos e crônicas. Muita leitura estrangeira, mas claro, enfatizando o critério: Quanto mas criativo, melhor.

E acho que é isso que me motiva escrever hoje.
Tentar escrever algo que nas primeiras linhas, a pessoa leia e envergando a sombrancelha faça a cara de "hãm".
"Um cara vivendo com uma escada nas costas? que ideia absurda!"; "Esse cara viu Elvis?"; "Um rato?"... Esse é meu preço.
Esse é meu pagamento.
Um sorriso no mínimo.
Mas o preço é criar algo até a pessoa pensar "que idéia estranha, daonde ele tirou isso".
E daí vem, mesmo sem eu ver ou saber... Entender que essa pessoa imaginou a cena. Mesmo esdrúxula, incomum, estranha, impossível ou praticamente inimaginável.
Ela visualizou a cena.

E eu alcancei meu objetivo.
(Exterminar o exército azul e mais 4 continentes a sua escolha).

13 de abril de 2009

O rato

Febrão de quase 40 graus, ânsias, tremores e calafrios.
O que fazer? Pronto Socorro.
Fila de espera. E pelo visto, muita espera.
Na Tv, passava o antigo Johnny Quest. “Puxa a D ia gostar de estar aqui vendo”.
Mas que canal é esse que em casa não passa mais esses desenhos da velha guarda?
Ah, pouco importa. Eu vou tomar umas 3 injeções e uma bolsa com uns 10 litros de soro mesmo. Isso sim importava.
Começou chuviscos na tela.
- Pois é, mais essa. O dia vai ser longo. – disse para um rapaz, aparentando ter uns 20 anos ao meu lado.
Ele quis me responder algo, mas seus olhos estavam correndo de um lado pro outro.
Fixou num ponto e quando ninguém apareceu ou notou, ele disse: “Preciso sair daqui...”.
- Hãm? – foi minha resposta em modo padrão ativado e adorando papos alheios.
- Acho que vou correr daqui.
Que ótimo. Um autista alucinado ao meu lado.
- Vou escapar pelo ralo.
OOOOOOOOOOPA! Isso muito me interessa. Será que eu tô ouvindo vozes?
- Que isso amigão, jajá chamam você. – Surpreendi.
- Se eu entrar lá, vão me descobrir.
- Hm, você ta bem? – Porra, eu to delirando de febre. Minha blusa toda suada, to tremendo, mal consigo falar. E me aparece um foragido do manicômio.
Olhei fixamente para o ralo e esperei ele olhar pra mim. Olhei pra ele e pro ralo. Ele entendeu.
- Eu sou um rato.
Tudo que eu fiz foi apertar com força meus lábios e levantar as 2 sobrancelhas. “Problemas”.
- Certo, certo... E você não quer ser atendido?
- Eles vão me descobrir porra.
- Fica sussa – disse com certa dificuldade. – Eles vão te ajudar.
- O ralo mais perto é aquele do banheirinho.
- Você ta sozinho? – insisti.
- Me pegaram na rua e me trouxeram aqui. Mas se eu entrar lá, vão ver que sou um rato.
- Puxa vida. Então corre pra fora amigão!
- Daí eles me pegam de novo. A saída é pelo ralo.
Ok. Me chamem logo, tá doendo as costas toda. Tô ouvindo vozes. Quero ir para casa logo.

O sujeito estava mal vestido. Moletom, chinelos com os dedos encavalados, escuros e sujos para fora da sandália.
Chamaram mais duas pessoas, mas nenhuma era eu ou o “rato”.
A barba dele estava por fazer.
Não quis ficar reparando, mas acho que ele tinha umas tatuagens no braço.
Engraçado, mas nos poucos minutos em que ficamos em silencio pensei na história do sapo que virava príncipe.
Esse aqui coitado, devia ser o mendigo.
A mulher abóbora, musa da laje da Rocinha, deve ter beijado o rato e deu isso.

Não ouvi com clareza, mas foi algo que terminava com “enquim”.
- Puta merda, me chamaram.
Acho que esse porra vai é quebrar tudo lá dentro.
Será que ele vai roubar o médico?
Meu, que loucura. Nada aqui tem sentido.

Eis que o senhor ratolândia se levantou e muito sem-graça foi se arrastando pra além da porta alá saloon bangue-bangue, sob dezenas de olhares. Entre eles, de alguns doutores.
“Que seja feliz” pensei.

Passando agora Herculóides, os riscos e chuviscos já até faziam parte do desenho.
Olhei e nada de revistas para ler.
Opções escassas.
Minha febre parecia ter melhorado muito. O problema era os calafrios momentâneos e o suor impregnado.
Uns oito minutos depois... eis que o nome mais aguardado é pronunciado!
Eu já nem lembrava da dor que era caminhar com esse mal estar todo.

Como o maluquete não deu o ar da graça voltando pela porta, ou ele foi internado com uma camisa de força ou ta lá dentro e toca eu ter que papear com a demência em pessoa de novo.

Após um exame superficial, constatou-se que estava com amidalite. Uma inflamação crônica na garganta, nessa altura já lotada de pus.
Eu meio que me preocupei na cacetada de grana que ia ter eu gastar com remédios, mas o doutor me alegrou, se é que essa palavra tem esse significado...
- O senhor leva essa guia até aquele primeiro balcão a sua esquerda. Será medicado com um soro, dramin, antak, dipirona e plazil.

Puta merda, vou ser massacrado com agulhadas. Mas não tinha jeito. Melhor isso e sair inteiro que o coitado do mickey mouse que deve ter saído amarrado.

- Aguarde o senhor sair do banheiro ali na frente, abaixe a bermuda para tomar uma injeção na lombar.

Que ótimo. Terei que mostrar a bunda pro plantonista.
Justo eu que coloco bermudão na praia.
Eu mereço.

Dois minutos. Nada.
Três, bati na porta.. Nada.. quatro, cinco. Forcei o trinco e estava trancada por dentro.
O coitado devia estar com diarréia.
Já vi tudo. Eu tomar injeção na bunda, num ambiente um por um metro, cheirando milho estragado (com bastante amônia) enquanto me preparo para o coquetel salvador na veia.

- Viu, a porta não abre e acho que não tem ninguém.
O rapaz do avental chegou e forçou com mais determinação.
Ficou constrangido por não ter aberto, e deu uma segunda ombrada.
“Maravilha será ele deslocar o ombro e ter que tomar injeção também”, pensei.

Um segundo avental branco se aproximou e sei lá Deus o que fez q a porta abriu.
Ficou segurando o trinco com a madeira entreaberta, a luz acesa e por incrível que pareça, cheirando álcool.
Pelo olhar, vi que era para eu entrar.
Vi não, percebi.
Pois no exato momento em que meu olhar baixo buscava minha bermuda, o que eu vi mesmo foi que o ralo estava solto.

9 de abril de 2009

Chris Fail

Há muito estava querendo deixar um Sikha.
Para aqueles que não entendem muito, o Sikha é um "tufo de cabelo", uma mecha diferenciada do volume do couro cabeludo que contém muitos significados.
Mesmo que muitos adotem o sikha somente após iniciações e cerimônias religiosas, adotei pela minha crença particular. Por motivos pessoais, esforço, aceitações, agradecimento e provação entre outros. Independente do segmento cultural religioso.
Não sou budista, hare krishna, mas acredito em muitos princípios, especificamente do sikha, daí a importância espiritual e pessoal em adotá-la por um período de tempo curto.
Para entender um pouco do que é e o que significa, os interessados podem entrar nos links ao lado para conhecer um pouquinho - http://rasadasa.blogspot.com/2007/04/o-que-sikha.html / http://safra76.blogspot.com/2008/06/yajna-ofcio-sagrado.html.
Mas, de maneira geral, faz-se uso do Sikha os Brâmanes, os hindus ortodoxos, monges hare krishnas, vaishnavas ou outros, principalmente da cultura indiana.
O Sikha tem muitos significados e é adotada em tamanhos diferentes, com rituais específicos para lavar e expor.
Segundo a cultura védica, o sikha é adotado após uma cerimônia e uma iniciação determinada. O Sikha serve para a realização de qualquer tipo de yajna.
O Yajna ao pé da letra, é uma espécie de sacrifício - sacro ofício - ofício sagrado, no conexto, Contato com o Conhecimento Superior. Não se tratando de algo pejorativo, muitos acreditam que não deve ser lembrado como punição ou superação.

Bom, pulado essa etapa, quando fui cortar o cabelo da últmia vez, há quase um mês, deixei um tufo. Meu sikha! Mesmo já sabendo a dificuldade que seria explicar a família e aos colegas de trabalho, deixei devido minhas crenças, desejos e vontades pessoais.
Cumprido minha experiência, hoje resolvi cortá-lo. E advinhem?
Óbvio que sozinho cortei na tesoura pela raiz o cabelo e esburaquei todo o cabelo.
Mas tudo bem.
Como já é meu costume cortar o cabelo sozinho, tive que repicar, de inúmeras maneiras disfarçar o buraco que deixei ao cortar a mecha.
Encurtei bem o cabelo dos lados, e agora acredito que está melhor.
Se valeu a pena?
Claro que sim.
Sempre vale.
Eu e minhas crenças.

Nos tempos da nostalgia

Na infância, como passatempo aos finais de semana, jogava futebol de campo nos campeonatos internos do clube que era sócio.
Engraçado pensar hoje sobre essas partidas de quase 25 anos atrás.
Como minha memória ainda me crava espinhos numa versão 3D, lembro claramente do meu primeiro campeonato. Devia ser 1984, jogava pelo Palmeiras (os fraldinhas eram chamados de série 1, com times paulistas), e pela falta de opções, na ingrata posição de goleiro.
Até bola fora da área eu peguei com a mão. Mas o episódio que mais permanece intocável em minha mente foi a semi-final.
Palmeiras e Santos. O Santos vinha com os craques, os garotinhos mais avantajados e truculentos, ao mesmo tempo habilidosos.
Meus pais me levavam todo final de semana aos jogos, e assim minha torcida particular era formada por meus pais e minha irmã, todo fim de semana.
Acontece que nesse jogo, a Caravan Diplomata de meu pai deu um problema na metade do caminho, e para não perder o jogo e desfalcar a equipe, fui de taxi com minha mãe e minha irmã.
Estava tremendo. Chorava perguntando sucessivamente se meu pai já estava lá.
Entrei no campo e olhava sem parar a arquibancada e não o via. Isso me deixou tão agonizado e inseguro que comecei a tomar gols um atras do outro.
Na época, o Santos era o favorito, mas estávamos no páreo. Mas aquele dia eu não olhava mais pro campo.
Fiquei o jogo inteiro olhando para a lateral do campo, e somente na metade do segundo tempo meu pai chegou.
Já era tarde e nada pudemos fazer. Não conseguimos reagir, o Palmeiras perdeu aquele jogo por 8 a 1.
O Santos foi para a final esperando o vencedor de São Bento e Portuguesa.
Após uma tímida passagem pelo Atlético Mineiro na série 2, passei logo a série 3, agora dente-de-leite e com times cariocas.
Não me lembro se jogava pelo Bangú ou Madureira, mas outro fato lembro bem.
Devia ser minha melhor fase, jogava mais no meio de campo. Mais defendia que atacava.
Salvei vários gols na linha embaixo da trave. Acho que em razão do gol ser muito grande, dividia com o goleiro a responsabilidade e o tamanho das traves. Se passava por ele, eu era o último homem e após chutes certeiros e indefensáveis pelo goleiro, salvava na última hora. Uma vez até de voleio. Belas lembranças.
Marquei alguns gols, um inclusive nas poucas vezes que desci determinado ao ataque.
Foi um jogo truncado, lembro que passei pelo goleiro e há 10 metros do gol dei um totó bem vagaroso. A bola ia entrando quando o colega/capitão de nome Adriano deu um chutão praticamente em cima da linha.
Fato: Vieram me perguntar para colocar na súmula do jogo de quem era o gol. O Adriano estava na artilharia e eu, bem timidamente disse que não me importava. Que tudo bem colocarem o gol para ele.
E ele atrás ia afirmando que realmente foi dele, que a bola não estava ainda dentro dos arcos.
E nesse dia acho eu que aprendi a crescer espiritualmente ou, como chamo, ganhar pontinhos no céu.
Por algum tempo me incomodou a atitude dele.
Meu nome não ficou no quadro de artilheiros e ninguém lembrou de mim.
Tudo isso até o jogo contra o Botafogo, time em que jogava meu primo de criação. Era fase inicial. Um jogo sem muitas emoções.
Um dos poucos em que fui ao ataque.
Mas o lance em que guardo na caixola décadas depois foi uma dividia próximo ao gol adversário.
A bola veio pingando desajustadadamente alta.. e na área, todos perdidos. Uns pulavam tentando cabeçear enquanto outros tentavam alcançar com pé alto a esfera.
Coincidentemente a bola veio parar entre eu e esse meu primo.
A bola acabou indo ao seu lado e muito desequilibrado, dominou a bola entre o peito e a coxa.
Nessa hora eu podia chegar com truculência, sei que a bola ia pingar no chão e ia sobrar livre para eu chutar ao gol, que poderia mudar o rumo do jogo e do meu time.
Mas fiquei sem graça de "atropelar" esse meu primo.
E essa ausência ficou martelando anos. "O que seria se eu tivesse dado um chutão e feito o gol?"
Eu precisava de atenção.
Eu precisava de estímulos para continuar acreditando em meu "talento" e esquecer meus medos.
Mas, nesse dia eu não chutei. E meu time não ganhou.
Passados mais de quinze anos, cheguei num consenso.
E tenho a mais absoluta certeza que fiz o certo.
O jogo passou, meu time foi desclassificado em fases mais adiantadas, e nada ganhei.
Opa, ganhei sim. Pontos no céu.

São esses fatos isolados que me deixam cada vez mais feliz em ter tomado decisões difíceis.

E esses fatos mencionados acima são só exemplos.
Meros exemplos.
Meros exemplos de escolhas difíceis.
Na minha vida sempre foi assim. Sempre. Tudo.
Prioridades.
Desistir para ganhar,
Voltar um passo para avançar dois.
Mas é exatamente nessa hora que mesmo sem saber, tudo acaba fazendo sentido.
Não na hora, mas sei que meus pontinhos no céu, uma hora acabam me agraciando de alguma forma.

Ainda estou na metade do caminho.
E mesmo não tendo conquistado "o mundo", sei que estou no caminho dele.
Hoje, começo entender algumas decisões. Mesmo sem saber direito as razões, começo entender, as vezes tardiamente (como as situações citadas) os porquês da vida.

Apenas entendendo.
Acertando, errando e decidindo.
Vivendo.

Mar de intenções *

“SOMOS NAVEGANTES NUM MAR QUE NÃO CONHECEMOS;
QUE ELE SEMPRE CONSERVE EM NÓS A CORAGEM DE ACEITAR ESSE MISTÉRIO.”

As ondas agitadas, cada vez mais altas
não consigo remar, elas balançam... sacodem.. (me torturam)
Ela poderá me cobrir.. - ela IRA!
(os salva vidas fingem em não me ver)
Estou sem forças, mas EU SEI que devo lutar contra a maré (¿de azares?)
Quanto mais eu tento nadar, mais essa maré me suga
toda minhas forças, vontades e sonhos
versus
a graça, potência e autoridade do elemento líquido. (¿lágrimas?)
As ondas são muito altas... não posso me aforgar

não irei me afogar..
ANJOS DIGAM AMÉM


Pai, por quê me abandonastes?...se eu morrer, faça isso sem doer!

Minhas lágrimas salgadas só aumentam o volume do mar
Ele se fortalece, me puxa mais forte, chegando a me enfraquecer
enfraquecer.. eu.. e meu corpo (fisica e psicologicamente)
sua potência não é normal, isso não é normal!
Bato as pernas (e a cabeça) porque EU SEI... adiantará?
¿EU SEI? Bato as pernas mais fortes
PAI me ajude, não me deixe morrer lutando
-Existem mais pessoas a serem socorridas deixe e permita-me vencer
O sol não nasce, tudo está escuro, e as ondas continuam a me cobrir
as ondas estão me machucando..
me batendo como pedradas em minhas costas
(sou puxado para baixo) os espinhos prendem meus pés..
e os sonhos minha cabeça
vou sonhar, posso morrer
mas, EU SEI, vou vencer.

“NÃO EXISTEM HOMENS PERFEITOS E SIM INTENÇÕES PERFEITAS”

* - Janeiro de 1999