29 de maio de 2009

Seguindo estrelas

Radar danificado, bússula viciada;
Mapas incompletos, navegadores incompetentes.

Quando tudo parece se perder,
aposte na precisão da posição das estrelas e na velocidade e altura das marés.

Velas e âncoras à deriva. De Deus.
Confiar somente no que é enxergado e captado.
Pelo coração.


Sentidos apurados, olhos atentos;
Companhias certas e, sempre, guiado pelo instinto.
Do coração.

26 de maio de 2009

Sol de chuva

Semana cansativa, trabalho exaustivo.
No intervalo, fumaça do café.

Sol de chuva chapando meu rosto

estatelando minha sombra na calçada.
É o bastante para pensar no fim de semana...
lembrar de você

e sorrir.

25 de maio de 2009

Antídoto: placebo

40 watts iluminando
promessas cercadas
de sorrisos e confissões.
Sonhos realizados, lágrimas sofridas
e desejos a conquistar.

A montanha russa *

A bebida russa, a montanha russa, a roleta russa.
todos com o mesmo objetivo: a provação. Vontade em vencer o desconhecido.
Não importa o frio, a falta de calor para beber e se manter aquecido, o suor frio, o frio na barriga para provação de um brinquedo, o sangue frio de desafiar a morte.
A nós, importa a estupidez humana, a loucura de uma paranóia. Pagar para sofrer.

Dirigir por dezenas de minutos, se expondo aos perigos, irritações e má sorte.
Enfim, se chega ao parque - das diversões. A risada é forçada, o dinheiro -que muitos não têm- é desperdiçado, para desafiar, passar mal, medo, num “brinquedo”. Carregado e engatilhado (e muitos ainda julgam seguros e eficazes).
Você escolhe de logo o pior e o mais caro.
Você compra o bilhete, o ingresso, a entrada: O convite.
Se paga pra perder algo que nunca vai ter. A coragem.

A montanha russa, enorme mostro, cova dos leões, desafiada por você.
Um gladiador, um lutador que um dia quis chorar, um simples humilde homem que um dia quis ganhar.
A cada passo, se inferioriza. Diminui, se empobrece, se enfraquece.

Chega a hora e você dá o ticket, carrega o tambor, cambaleia, assento a postos, a trava -totalmente insegura- se mostra ser satisfatória para desafiar a vida, e você se sente amarrado, preso e amordaçado. A velocidade começa a aumentar e você começa a girar. Órbitas.
É a primeira queda, apenas a primeira em relação as outras milhares que virão.
Se agarra ao cinto, a uma trava e fecha os olhos.
Como uma bebida amarga, comprime os olhos, numa amargura não só em sua boca, mas em sua mente e coração.
Gira o tambor e o brinquedo começa funcionar.
Lentamente o destino traçado vai se escrevendo. Mais um dia, sua vida.
A hora do disparo, um grito no escuro.
Ninguém pode te salvar.
Ninguém quer te salvar.

Você, preso numa cadeira semielétrica -por escolha própria-, querendo viver.
Você, chamando problemas, criando absurdas situações que em um dia mudará (para melhor?).
Você, apenas você, lutando contra o mundo e principalmente, contra você.

* Março de 1997

20 de maio de 2009

Soulmates never die

5 metros quadrados
4 pés aquecidos
3 palavras mágicas
2 travesseiros
1 objetivo comum

17 de maio de 2009

Frenesi

Carne ao tubarão
* Após a bola estar ajeitada na marca penal, naquela olhada rápida ao goleiro, vê-se claramente ele rir e apontar "aqui, chuta aqui". Mesmo que não seja seu desejo, a vontede de massacrar, humilhar chutando ALI vem a tona. Você toma distância e como num tiro paga pra ver.

Sangue ao vampiro
* Verde. Carro lento a frente, sinal amarelo - "caramba, ele vai parar". Você já está embalado. Pressão no pedal, aumenta a velocidade, diminui a marcha, aumenta o giro, e eis que ele passa. Vermelho. Um. Dois segundos... Você pisa até o fundo.. e passa. Também.

Fôlego tomado do paraquedista em queda livre
* Churrasco entre amigos. Brincadeira de empurrar na piscina e jogar água. Balde cheio. Todos duvidam que você comece a brincadeira (pra valer). Ameaça. Uma. Ameaça duas. Olhares atentos. Nós dos dedos brancos bem apertados à borda do balde. A água voa. Quem mandaram duvidar.

Para os adeptos, manter o corpo suspenso por ganchos
* Último minuto de prova. Última questão a responder. Todos entregando a prova. Seria "C" ou seria "E". Sinal tocando. Caneta a postos. Advertências, todos parando de escrever. Finalmente... "E".

13 de maio de 2009

-·-··-··

Acabaram de me ligar.
Ele partiu.

Deixou cravado em nossas lembranças todos momentos memoráveis, engraçadíssimos e repleto de sacadas rápidas.
São tantas qualidades. Inteligente, sutil, sagaz, bondoso...

Como um filme em exibição, entro no meio da sessão sem entender o que se passa.
Cenas alegres que se sucedem e nunca terminam.

Nunca terminarão.

Grãos *

Muito tempo se passou;
muito tempo se esperou;
muito tempo se ganhou.
Tempo, para pensar;
tempo, para esquecer;
tempo, para viver;
tempo, para mudar.
Um tempo onde a espera fora ignorada e esquecida
(Uma espera como uma esfera) - sem saber o começo e o final
Uma espera sem (pequenas) angústias
Um tempo se esperou, um tempo se perdeu, muito tempo se ganhou.
Bastou paciência, bastou acreditar em você (mesmo),
bastou acreditar em ignorar (as maiores e únicas preocupações),
Bastou ignorar o Tempo (perdido).
Esse tempo que fez baixar a poeira para enfim se enxergar (e voltar ao mesmo ponto)
Estava num deserto, sem ninguém
Estava com sede, sem a preciosa água (e até tinha o inútil do dinheiro para comprá-la, só não sabia onde)
Se eu corresse, eu me cansava;
Se eu esperasse, eu morreria;
Se eu pensasse, me torturaria.
Foi quando um tufão se aproximou, um redemoinho (de problemas) se despertou,
A ventania veio, as areias se enfureceram.
jorravam angústia, força (de vontade), desespero e raiva
queriam machucar, queriam derrubar, queriam destruir (o pouco que já existia)
A areia subiu, entrou nos olhos, arrancou as poucas raízes que existiam,
Com os olhos fechados achei que o céu tremia e o chão rachava,
Ignorei os milhares de grãos existentes (nos olhos) e no ar,
Se eu não tentasse abrir, se eu não lutasse (contra mim mesmo) eu morreria.
ali, sem ninguém me ver, sem ninguém me escutar, sem ninguém me procurar.
Com coragem, ignorei os grãos, me fixei ao chão, ao cume de uma duna.
A ventania se acalmou, a areia baixou e eu, enfim, enxerguei.
Estou novamente ao deserto - vivo -, sem ninguém, sem a água e sem comida.
Estou novamente ao deserto - vivo -, esperando outro tufão.
Estou novamente ao deserto - vivo -, apenas vivo.


* - Março 1997

9 de maio de 2009

Você já foi crente?

NÃO! não é um tópico de religião. Acontece que escuto esse termo desde o primário escolar. Naquela época, era aquele que só tirava nota máxima. "Fulano é mó crente". Por força da galerinha a palavra ganhou força e esse era o termo. (Hoje, mesmo com a ajuda do dicionário Michaelis, não sei o que realmente queriam dizer. Depois dessa fase, crente passou a ser sinônimo de pessoas que não podem ver Tv ou cortar o cabelo).. mas isso já é assunto para outro post. Ok, mudando o termo para Crânio.
Você já foi um aluno Crânio?; CDF?; Nerd?; Nota10? ou simplesmente "O MELHOR ALUNO DA CLASSE"?
Em recordações, no primário, ginásio, colegial e faculdade conheci muitos. E nunca fui um deles. Logo nos primórdios, Eduardo usava sua Poly laranja 0.7 (todos usavam a 0,5) e eu achava que o segredo de ir tão bem era tendo uma lapiseira de grafite 0.7 mm ou falando QUAtorze e não catorze (termo que até hoje utilizo). Enfim, o cara só tirava 10. E ninguém tinha chances.
Anos mais tarde, uma japonesa chamada Melissa. A única a acertar uma questão de Ciências sobre as nuvens. Assim, foi a única a ganhar 10.
Na faculdade, Jacóbson surpreendia todos. Nunca abaixo de 9, era nota alta certa em todas matérias. Falava japonês e inglês fluente, era ex-militar e mesmo com naturalidade chegava a constranger a classe.
E vc? Já foi o crânio da turma?
Eu apenas ia bem em cursos paralelos como inglês e computação. Mas isso não conta. Carambolas, será que isso mudaria algo hoje? Seria almejado, cresceria com uma super auto-estima. Mas não, era aquele cara regular.
No colégio, era até divertido. Esses crânios viviam de certa forma isolados. A maioria que os cercavam era parasitas, diziam ser amigos mas, na realidade, queria nota.
Eram procurados apenas na hora de fazer trabalhos e em provas em duplas ou grupos. O cara mal sabia, mas bastava o professor dizer que iria ter trabalho ou prova que, mesmo sem o fulano saber, ele já estava no grupo de pessoas que ele nunca conversou.
Isso sem contar o fim de ano. Pessoas penduradas e desesperadas por notas que se aproximavam na maior cara de pau para tentar ganhar um parceiro.
De prova.

6 de maio de 2009

Sonho

Acordei assustado e inquieto, lembrei que era véspera de prova.
Daquelas bem difíceis. Da classe toda temer e nada saber.
Pra variar, eu - também - não estava preparado.
Despertei com a respiração alterada e com medo. Não queria tirar nota baixa.
Pensava nos conselhos de sempre "por que não vai revendo a matéria e anotando as dúvidas todos os dias após as aulas? Assim, quando chegar a prova, só retome os pontos já vistos e estudados".
Agora era tarde, a noite estava passando e a prova, chegando.
Compensava 're'ler o que faltava? Tinha 3 horas, ou seja, precisava entender a matéria nesse pouco tempo. Compreender uma página em, no máximo, 10 minutos.
Vencido pelo cansaço, insegurança e incertezas, voltei a dormir.
Acordei as 7 em ponto.
Fiz força para lembrar qual era a matéria da prova.
Sonado, levei cerca de 3 minutos para me contextualizar e acreditar.
Não tinha prova. Não tinha aula. Não tinha matéria alguma.
Eu já havia me formado e estava trabalhando.
Ganhando e não mais pagando.
Que absurdo. Não podia ser possível tamanha realidade.
O mesmo frio na barriga das provas que tive.
Que sonho voltar à essas provas.

Nada em provas. Tudo em sonhos.
Pesadelo gera pessimismo?

Escuridão *

Mesmo que passe todo o tempo necessário,
sempre será cedo para - saber/conhecer/lembrar -
Deste jeito , nunca poderei saber ,
serei sempre jovem demais para acreditar em certas verdades
- que eu não poderei ( e nem conseguirei ) esquecer jamais -
Espírito lembrado , coração quebrado , destino separado :
Impossível de ser curado

Nunca poderei acreditar para encarar a verdade
Assim , o tempo vai passando e eu esquecendo
- O que aconteceu ?
- Nada ( sabendo que o nada é E sempre será o tudo - de bom e de ruim ) .

O medo de entrar e encarar a noite, apagar a luz e tentar dormir
O medo de - sozinho - pensar em algo bom e tentar dormir olhando o teto escuro e sem fim
O medo que nos toma conta quando sabemos que devemos pensar em algo para não ser perturbado pelas obscuras sensações do medo

E enfim , dormimos ... pela fraqueza de tantas preocupações e paranóias
Dormimos devido ao desgaste de tantos problemas ( inventados ) e procriados .
Acaba a noite , começa a lembrança
querendo o esquecimento , detestando o acontecimento
acaba a lembrança , começa a noite

Sozinho no meio de tantas pessoas
desacreditando delas e do tempo perdido por elas .
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - sair dessa roda de colegas ...
tentar fugir , quem sabe sozinho , para me encontrar ;
e , em algum momento me enfrentar para te chamar e te enfrentar
E o que adianta ?
Querendo - sozinho - escolher você no meio de tantas outras
para que , (quem sabe sem medo e com certeza) saia , sem olhar para trás
com coragem suficiente para te ignorar ( para sempre ? ).

* Fevereiro de 1997

4 de maio de 2009

Tudo sob controle

Sábado a noite, quase domingo, barzinho lotado. Gente bebendo, loiras rindo, garçom correndo, fila para o banheiro e na TV: Vale Tudo MMA.
Legal. Sangue espirrando, sexo masculino em peso acompanhando o esporte.
Tudo indo bem até que chega... Claudinho Parede. E ele não veio sozinho. Trouxe o mais temível companheiro. Seu parceiro de aventuras. Mais sincronizado que Batman & Robin.
Sim, e pior!... ele trouxe.. seu controle remoto universal.

Universal. Essa palavra até coloca medo.

Todos se divertindo até que "misteriosamente" todos monitores LCD de 50 polegadas passam exibir Zorra Total.

Olhares confusos. Conversas interrompidas. Missão cumprida.

Próxima parada, Blockbuster.

Ao deleite dos fãs de Xmen, muita ação, correria... momento crucial para o Wolverine saber sua origem e... aparece uma pescaria no Canal Rural.
Claudinho estica vagarosamente suas covinhas em direção às orelhas.
Esse é seu vício. Isso o faz feliz.
E, como se não bastasse, ele quer compartilhar sua felicidade. Obrigando todos a assistir o mesmo programa que ele.
Exato. Jornal Nacional perto de Claudinho? nunca!
"No Brasil, a gripe suína marcou ser recooooo****" (chiados/tela azul) -> cartoon network!
quem, onde, por que? Sim meus amigos. Ele mesmo. Claudinho Parede.

Começam os batuques indianos da novelinha das 8 (que na verdade é 9) e em 2 minutos lá está ele sacando seu fuzil de pilhas e controle óptico.
Splash! Jogo de golf. Isso prova que ele nem precisa gostar do programa, as vezes, basta apenas atrapalhar.(Rezem para que isso aconteça na casa dele - somente!). Namastê o cacete, Mtv neles!

Agora, após o desabafo, já sabem.
Se no melhor momento do filme, novela, noticiário, jogo ou simplemente ao abrir o portão de casa... acontecer algo... Chequem imediatamente o ambiente. Claudinho pode estar perto de você.

E ele nunca está sozinho.