11 de dezembro de 2010

We Have a Problem!!!

Qual a gravidade de um problema?
Sim, você entendeu direito.
Um problema existe em diversas escalas. Desde aquele contratempo até alguma urgência, ou melhor, emergência.
Você ja deve ter notado, se alguém chega perto de você e diz.. "cara, to com um problema..." haha!... É amigo leitor, você tá ferrado.
O cara vai te pegar pra Cristo. Pode se preparar, favores a vista!
Até porque ninguém associa problema com sucesso; problemas com boas notícias. O problema por si só, já é problemático.
Tem como um problema ser bom? Vamos tentar...
"Cara, eu tô com um problema..... Eu.... adoro... você!"
Exato, continuamos com problemas.
Voltando, quando alguém chegar até voce e falar.. "cara, eu tive um contratempo..." Aí sim!!! ufa, menos mal... sim sim, pode contar! o que aconteceu?
Agora, "tô com problemas".. se não notou, comece a prestar atenção.
É fria na certa.

Pensei nisso quando um colega mencionou "problemas" e, num rápido paralelo, o ingrediente lunático do meu pequeno e vasto mundo comparei...
Em um dos problemas mais graves conhecidos, me vem logo à cabeca a nave Apollo 13.
Houston, we have a problem.

O que você, querido bloggeiro imagina que o controlador pensou?
Ok, vou além.. Dia tranquilo.. céu estrelado, poucos carros na rua... radinho de pilha tocando uns sucessos regionais para animar o fim de tarde.. e alguém chama o Seu Euclides.
Quem é Euclides? Hipoteticamente é o velhinho mau humorado do departamento financeiro de uma empresinha chamada ASA.
Não, descupem, Nasa!
Ok, continuando... Tudo maravilhosamente bem, seu Euclides pensando que no final de semana vai poder chamar um amigão para jogar poker em casa, comer pizza de calabresa com bastante orégano, cerveja gelada..
Ei Euclides, atende o radio aí pô.
Euclides, se liga nos bacana do foguetão que querem falar com o sinhô.
"WE HAVE A PROBLEM".
Sim, um problemão.
E para seu Euclides, qualquer problema gira na casa dos bilhões e trilhões de dólares.
Em suma, um probleminha pro seu Euclides significa a economia anual de 3 estados inteiros.

E dona Conzuelo, com "z". Latina com nariz avantajado, sabe cantar o hino da argentina inteiro. Ela é responsável pela equipe do RH.

Consuelitchaaa... o amigo do capitão kirk quer falar com a senhorita!!
"WE HAVE A PROBLEM"
Pois é. Depois da Challenger, o departamento de RH da Nasa tem uma espera de funcionários animados... Se liga ai muié, a fila anda!!!
Quando pinta um plantão da CNN, o departamento de RH vai funfar!

Isso sem falar do controlador mau humorado, o famoso nerd Benjamin.
Cabelo oleoso estilo pastinha na testa, lápis em cima da orelha, camisas estranhas fechadas ate o pescoço, gravatas curtinhas, óculos com lentes fundo de garrafa e sapatos com franjinhas.
"WE HAVE A PROBLEEEM!"
Veja bem, "we" o cacete. YOU have a problem.


E o pessoal da assessoria de imprensa?
Ze Carlos ja está acabando de comentar o final do filme que passou segunda na tv, quando o grave grito surge do além.
WE HAVE A PROBLEEEEM!!!
Na hora, Zé Carlos ja pegou o gancho do telefone.. quase que automático, discou vários numeros com os dedos trêmulos, testa suada, pernas bambas e quase sem voz pronunciou:
Querida, tenho um problema aqui, não sei que horas vou voltar.

28 de novembro de 2010

Crônicas

Momentos mágicos e memoráveis.
Histórias saudosas e nostálgicas.

Existe no jornalismo uma separação e definição para nossa produção de textos.
Jornalismo investigativo x literáro, crônica x contos... e analisando a quantidade de meus textos aqui postados, a maioria está se encaixando entre outros tantos estilos, crônicas e contos.
Resgato essa questão uma vez que, acho, segundo ano na faculdade de Jornalismo, ao elaborar um texto, classifiquei-o como crônica.
Entreguei ao professor e, mesmo sem ler uma linha, meu mestre riscou de fora a fora desenhando um enorme "X" e disse como se estivesse pedindo dois pães com café: "crônica não é".
Completou: "Para ser crônica você precisa ter no mínimo quarenta anos de vivências e histórias"...
Ele tinha razão. Aliás, meus mestres eram sempre as têm. Duros e claros.
Pensei nisso esses dias. Será que já fiquei velho e não descobri que posso escrever crônicas?
Ok professor, acho que estou (quase) na fase transitória...
Mas um dia chego lá!

O Vídeo de Casamento

Pode não ser uma obrigatoriedade mas, lá no fundo, todos que vão à um casamento, já sabem que terão um telão ou uma Tvzona para assistir alguns minutos de fotos projetadas.
Após o casamento (de fato), na minha humilde opinião, considero o vídeo a parte mais importante da festa. Explico: após expressar sua vontade de formar uma nova família à Deus; seus pais; e principais amigos, é nessa hora em que mostramos aos nossos convidados alguns minutos do que foi nossa vivência até aqui.
Momentos com pessoas especiais. Nossos avós, nossos pais, irmãos, primos, tios, até conhecermos nosso (já) cônjugue. Como no meu caso foram uma dúzia de anos de convicência, meu vídeo foi dividido em dois, muitos minutos antes e muitos minutos depois de nos conhecermos.
Para ser sincero, todos serviços prestados foram escolhidos em três meses. De decoração e música, a buffet e fotógrafo.
O vídeo, levei mais de SEIS meses.

Não quis deixar de fora pessoas especiais, momentos mágicos, saudosas e inesquecíveis companhias. Principalmente as que nunca mão morrer em nossas memórias.
Nao digo pouco caso, desfeita ou desvalorização. Mas acho triste ir a um casório em que pouco se valoriza essa parte da festa.
Vídeos chutados, resumindo toda uma vida em 5 fotos. Escolhidas ao léu, bem nas coxas.
Tudo bem, alguns vão dizer. “Não tive tempo” ou “quem fez pra mim só deixou escolher cinco fotos”. Balela. Double Talkin’Jive.
Sua festa. Teve tempo de escolher terno, salgadinho, cor da toalha e não teve tempo de lembrar das pessoas que ama? Você tá pagando um serviço e vem me dizer que o “cara” (caro, meu caro!) não deixou?
É necessário julgar mehor. Sei que és uma questão subjetiva, mas sinceramente penso que poderia ser melhor valorizada.
Posso estar errado, mas seis meses juntando e filtrando, tratando e inserindo fotos, não foram suficientes para me deixar com um resultado perfeito. Foi satisfatório, algumas pessoas inclusive ajudaram bastante mas, mesmo assim, o resultado não fez jus a todas pessoas que compartilharam minhas alegrias e tristezas para os 31 anos, na ocasião.
Comecem a reparar. Esse momento do video… Todos convidados esperam se ver. Mesmo que por um segundo, no cantinho de uma foto desfocada bem velha, antiga e amarelada.
Sabem por que? Nessa hora você lembra de histórias. Pessoas, situações que fazem parte da vida dos noivos.
Nessa nova etapa da vida, fizeram uma nova família e um pouquinho de você está inserido ali.

25 de novembro de 2010

O homem da voz grave e minhas piruetas

Ouvindo a última faixa do disco novo do Nando Reis, recordei da faixa que nos anos 80 foi o carro chefe de "pirlimpimpim" e da abertura do memorável "Balão mágico". Me trouxe um bem estar lembrar dessa época e, logo em seguida, fui rapidamente procurar uma outra canção, na verdade a introdução dela, que nesta época sempre ouvia.
Lá por volta de 82, eu e minha irmã tínhamos uma vitrolinha e alternadas vezes, escutávamos nossos disquinhos.
Dá saudade de lembrar os vinilzinhos de historinhas "que eram meus", e os de grupo musical "Trem da alegria", "Plunct Plat Zum" (entre outros) da minha irmã... Alguns eram dos dois. Aí no selo central, ou era laranja caravterístico ou branco (com a marca S de som livre no centro). Minha mãe grafava com letras bem circulares e claras (típica das professoras) meu nome no lado A e nome de minha irmã, no B.
O duro era quando eu queria escutar alguma música que pertencia já ao acervo dela.. Como é o caso em questão. A introdução do disco "Casa de Brinquedos" (o disco que tinha a música do Caderno de Chico Buarque) trazia um senhor falando com seu filho. Uma voz bem grave, parecida com a do atual Isaac Bardavid. (Hoje sei que essa voz pertence a Dionízio Azevedo). Me emocionava ouvir aquela introdução, mesmo que não entendesse o que ele dizia. Mas a melodia daquela voz ecoando me trazia ternura, segurança, alegria, felicidade.
Eu sabia com palavras enroladas e inventadas o que ele dizia, porque assim que acabava essa introdução, iniciava a música da Simone "Bicicleta" (uma das favoritas da minha irmã).
Falando em bicicleta, essa semana vi uma matéria na Tv sobre o momento adequado em retirar as rodinhas auxiliares das bicicletas.
E eu lembro bem quando eu andei sozinho e sem rodinhas laterais!
Meu quintal era dividido mentalmente em dois. Lado direito uma mesa de madeira com cadeiras e lado esquerdo uma piscininha. O circuito portanto era fazer vários circulos em volta dos obstáculos ou ousar cruzá-los (fazer o 8).
Eu andava me apoiando na parede.. ralando meu cotovelo. E no mesmo dia que minha irmã conseguiu andar sozinha, eu também consegui. Ela era maior e por isso acho q foi mais fácil. (é que eu não alcançava bem o chão).
Quicando na parede fui dando saltos maiores até conseguir manter a reta por vários metros.
Praticamente o homem descendo na Lua. "um pequeno passo..."
Procurei no Google um modelo igual a ela e achei uma parecida (essa que está postada aí!! só que não era azul e sim vemelha!). O modelo dela foi bem antecessor ao revolucionário BMX Monark, com um visual agressivo do momento; um "tubo" de espuma no quadro (parecido com outro que tinha a frente entre as empunhadeiras amarelas / vermelhas); pedais de cravinhos...
A minha não tinha nada disso, era um modelo "old school" com garupinha e tudo.
Com muita vergonha contarei um epidsósio que guardo com carinho.
Era época de natal e meu pai levou eu e minha irmã para andar no Parque Taquaral. A excitação por andar por terrenos desconhecidos me tomava conta já no caminho dentro da Caravam Diplomata cor caramelo de placas AQ4067 recheada no "chiqueirinho" com nossas bikes.
Chegando lá, eu mal me continha... Já sabíamos andar sem rodinhas então era mostrar ao mundo que eu era capaz de andar de cara ao vento!
Só que a bike dela - com DOIS freios (frente e tras) - era com catraca que vc pedala meia circunferência e a correa pára fazendo aquele barulho característico enquanto ganha velocidade.
E claro, a minha, apenas com freio na roda da frente, era catraca contínua. A correa era em constante engrenagem. Ou seja, se eu parasse de pedalar numa descida, ela continuava girando sozinha os pedais a milhão de quilometros por hora.
E advinhem o que tinha no meu caminho? (Uma pedra? errou). Tinha uma descida.
Mega blaster íngreme. E enquanto via a magrela dela descendo suavemente... eu ja tava tomando coices na canela dos pedais girando freneticamente e, para fechar com chave de ouro, eu gritava "Não consigo parar!".
Um belo conselho surgiu "APERTA O BREQUE!".
Pois é leitor. Eu só tinha freio na roda da frente e, na primeira estancada que dei, afrouxei o punho com toda força.
Parecia um número do Globo da morte.
Dei umas setenta e sete piruetas e acabei parando no mato lááááá embaixo quando a descida acabou.
Nesse dia andamos em locais planos também e valeu o esforço, lembro bem. Algumas horas mais tarde, ao chegar em nossa morada, no momento em que sai do carro, bem na escadinha que dava à porta de casa, estavam lá dois pacotes enormes.
Um era meu.
Tive vontade de chorar de tanta alegria.
Era um carrinho Pegasus de controle remoto que eu tanto sonhava.
Papai Noel tinha entendido minhas preces!
Mas essa já é oooutra história.

21 de novembro de 2010

Maluquinha

Em tradicionais papos sobre nossa nostálgica infância, lembrei de um fato curioso.
Após falarmos das balas de coco gelada embrulhadas em papel crepom, falamos dos chicletes plocmonsters, gigante laranja e uva, bisnaguinhas com liquidos roxo em embalagens plásticas em diversas formas (como revólver), carrinho de doces dos tiozinhos na escola. Lembram? Aqueles que haviam divisórias e lá, batatas, pipoca, cocadas, amendoins… com tiras de balas empacotadinhas na vertical com animas estampados em cada gominho colorido.
No Pio XII, colégio em qe estudei, havia um senhor que dava um “chorinho” sempre que íamos lá pedir.
Devia ter uns cinco ou seis anos, e a idéia de dinheiro era muito vaga.
Valores.
Ia até o senhozinho abria as DUAS mãos em conchinha e pedia na caruda. E o tiozinho dava.
Eu cheguei a perguntar uma vez pra ele como ele ia ficar rico trabalhando se ele sempre dava as pipocas pra mulecada.
Ele sorria.
Um dia ele faltou. No dia seguinte também. A semana inteira. Nunca mais voltou.
Seu carrinho ficou coberto com uma lona de corino com cordas amarrando todo conteúdo.
Ele tinha ido alegrar outras bandas.
Saudades do Tio da Pipoca.
Falando em bandas, tinha as balas bandinha! Dadinho… Mas esses somente achávamos no monopólio da cantina, que mantinha as “marcas” com altos preços. E nós, sem idéia de valores, se submetíamos a pagar tudo aquilo.
Para ilustrar essa situação, lembro que uma vez achei no chão um “bom” valor em notas de dinheiro. Na época devia ser cruzeiro, cruzado novo.. vai saber… enfim, hoje devia se equivaler a uns 40 reais. E quando vi tudo aquilo de dinheiro, o que eu fiz?
Corri pra cantina. “Tudo em maluquinha”.
Apontei para as de cor roxa, afinal as verdes eram raras, as amarelas e marrons eu não gostava.
O que hoje seria um saco plástico de supermercado, veio as minhas mãos. Uns três quilos de balas.
Todos felizes. Eu, o senhor da cantina e meu dentista.
O pecado capital gula era tão assíduo que a meta era ver quantas balas maluquinhas eu conseguia mascar ao mesmo tempo. Seis? Sete?...
Resumo da ópera, as balas não duraram dois dias (fora da minha barriga).
E apenas para constar, esse dia fui dormir com as gengivas ardendo, doloridas, sei lá se eram aftas, mas estavam inchadas, quase sangrando.

19 de novembro de 2010

O Segredo

Você sabe qual o maior segredo existente? Já pensou nisso?

Será a origem do universo? Será se diz respeito a vida extraterrestre?

Muitos apontam a maior resposta aos mistérios religiosos, o de Fátima, Santo Sudário… ou científicos como o túnel europeu que sugere criação da anti-matéria, buraco negro e aí a explicação da criação do universo.

Outros sugerem o segredo ao pensamento positivo, ou aos pensamentos proibidos. Explico: Desde assuntos dos círculos ingleses, caso roswell, aos mais atuais. Para um eventual cataclisma, ou extermínio do planeta Terra, você sabia que existe uma “chave” dividida entre algumas pessoas espalhadas no planeta que, num plano de emergência, podem zerar e resetar todo conteúdo da internet existente no planeta?

Mas tudo acaba em conhecimento, tudo acaba em capital. Os maiores segredos são necessariamente as maiores formulas. Já pensou nisso?

Então hoje preste atenção. Darei as duas mais cobiçadas fórmulas secretas.

1) A formula da Coca-cola: Água gaseificada, açúcar, extrato de noz de cola, cafeína, corante caramelo IV, acidulante INS338 e aroma natural.

2) A formula de felicidade: Amor e humor.

15 de agosto de 2010

Gerações

Hoje, por coincidência no mesmo dia que completo 9 meses de casado (uma gestação), aprendi com muita satisfação mais uma adorável lição que o Tempo nos traz.
Fui com minha esposa dar uma passada mega rápida no supermercado duas quadras abaixo de casa para completar a lista de ingredientes faltantes à receita do almoço dominical.
Já na fila para pagar, um aglomerado foi surgindo, acumulando cada vez mais pessoas e nada do caixa fazer a fila andar.
Como é uma filial pequena, são poucos caixas e, mesmo estando com três atendimentos simultâneos, era insuficiente para atender a demanda ali.
Foi quando um dos caixas alegando problemas na máquina, travou. Toda aquela fila precisou de dissipar para as outras duas já formadas. A "senhora" que estava passando suas compras, acompanhada pela fila, teve que além de recolher todos produtos já passados, pegar nova fila. E como se não bastasse, em última.
Olhei e analisei rapidamente situação pois já era minha vez no caixa ao lado. Foi quando começou a passar um filme na minha cabeça.
Aquela pessoa eu melembrei. Chama-se "tia" Regina. Ela foi minha professora no pré primário, quando eu tinha seis anos. Foi com ela que aprendi as letras do abecedário todo. (menos o "u" por que no dia que minha classe aprendeu a escrever "urso" eu estava doente).
Nessa hora, já estava com minhas compras ensacoladas indo acomodá-las no carro.
Ao colocar a chave na ignição, dei meia volta e quis ir falar com ela.
Faltando uns quatro metros para encontrá-la, ela já percebeu e sorriu.
- A Sra. não é a Tia Regina?
Sorrindo - Sou sim! Que bom que você lembrou e me reconheceu. Eu estava comentando com a senhora aqui atrás. Dei aula mais de vinte anos seguidos e pela minha idade, acho que tenho muitos "netos" perdidos por aí.
- Eu fiquei pensando ao sair e me lembrei sim! A sra. foi minha professora há uns vinte cinco, vinte seis anos atrás.
Ela sorriu.
Dei um abraço e expliquei que fiquei muito feliz em revê-la. Pela pressa não pude contar de tantas histórias que tenho guardadas aqui comigo.
Mas eu acho que ela também tem as dela, e assim, mesmo sem dizer, pensamos em um tempo que os problemas nem eram os de matemática ainda.
Imagine eu ser um neto. Não, não. A sra. sempre será a "Tia" Regina.
A mesma professora que entregou um papel que estou lendo agora. (hoje enquadrado com as bordas amareladas).
"Colégio de Aplicação PioXII. Diploma Pré-Escolar
Você é a esperança da Pátria e de um mundo melhor.
Muitos anos passarão, muitos diplomas você terá,
Mas uma coisa é certa: a escola, você não esquecerá".
Assinado: professora Regina C*. G*. M*. 03/12/84
Sim, professora, aliás, tia. A senhora sempre teve toda razão.

12 de agosto de 2010

Apólogo do bem - Parte I

Num vilarejo de uma cidadezinha do interior, viviam em perfeita harmonia os velhos moradores da Rua Treze.
Luizinho ficava o dia inteiro na banquinha onde trabalhava como chaveiro.
Ela ficava num lugar estratégico, bem próximo a rodoviária, único local onde havia movimentação.

Seu trabalho se resumia basicamente em consertar os cadeados e vendê-los para os que estavam indo ou voltando e precisavam lacrar as bagagens.

O lado ruim é que a banquinha ficava entre morros, na única direção do vento, o que todos os dias resultava em prejuízos para a estrutura de seu ponto de vendas.

Aí entra Pedrinho.
Praticamente um faz-tudo, com especialidade em marcenaria. Vive de bicos.
T
odos os dias, preocupado com o bem estar de todos, em especial do Luizinho, uma vez que segundo ele, era desprovido de sorte na Rua Treze, se sentia obrigado a diariamente já implantar no seu itinerário fixar as madeiras, as vezes pintar e em raros casos, trocar até as tábuas laterais da banquinha.
Pedrinho se perguntava como ele poderia dormir sabendo que, se a banquinha do Luizinho ceder, este não consiguirá mais sustento e, logo, constituir uma família.
O problema era que Pedrinho perdia metade do seu dia ajudando Luizinho.
Joãozinho, assim como Zezinho começaram a se fazer de vítimas apoveitando da boa vontade do rapaz.
Era todos os dias pregar quadros na casa do Joãozinho, arrumar chuveiro no Zezinho, ou qualquer outra atividade que o ocupasse.
Se ele não soubesse como, ele aprenderia.

Seu tempo comecou a ficar escasso.
Mal parava na sua casa.

Sua família começou a fazer mal juízo dele.
Imaginavam que ele estava envolvido com práticas malévolas, pois estava sempre ausente.
De tudo e todos.
Quando chegava da rua, vinha cansado, mas sempre com uns trocadinhos a mais.
Pedrinho raramente aceitava alguma ajuda monetária. Mas, de vez em nunca, ele pegava porque não conseguia se esquivar de tantas insistências. E, nessas, pegava timidamente, até por precisar para os mantimentos e remédios.
Assim, seu tempo hábil para os bicos na região do vilarejo praticamente acabou.
Ele mal dava conta agora de ajudar seus conterrâneos.
Mesmo vivendo, agora com amarguras e tristeza no coração, pensava na sua família, pensava em como era útil e querido pelos amigos. Mas sua saúde não era a mesma.

Foi ficando enfermo, perdendo o que mais sabia fazer.
Ajudar.

Além eh claro, de levantar totens, pregar estantes e pintar paredes.
A Rua Treze foi ficando cada vez mais escura, até que chegou o dia em que começou a questionar sua bondade.
Sem família, sem dinheiro, sem trabalho, agora estava sem saúde.
A única coisa que ele tinha, era o mesmo que ele sempre teve.

Vontade e amigos.
Seus músculos já lembravam braços subnutridos e frágeis e, com eles ao relento, num dia de absoluta inquietação, medo, pânico e solidão, caminhou na escuridão.
Tentou achar alguém que pudesse lhe ajudar.

Queria mesmo era reencontrar sua família.
Reencontrar sua razão.

Vagou.
Tanto a casa do Joãozinho como a casa do Zezinho estavam tão bem lacradas com duas camadas de madeira, preparadas para aguentar uma avalanche de neve, que ninguém o escutou.

Ironicamente, ele estava preso, do lado de fora.
O único caminho do pequeno vilarejo nessa altura era em direção a rodoviária.
Lá, com certeza, encontraria pessoas chegando e partindo.

O único caminhho, era o caminho do vento.
Em direção do pequeno vilarejo, que mirava como alvo a banquinha do chaveiro. O conhecido Seu Luizinho.

Seria uma boa desculpa, verificar as condições das madeiras na morada do amigo e, em troca, pedir um abrigo.
Ou um abraco.

O local era muito mal iluminado, as poucas luzes daquele setor vinham somente dos ônibus saindo.

De cinco em cinco minutos um clarão refletia sua sombra caída no chão.

Ao se deparar com a morada do amigo, bateu na porta mas nao obteve resposta.
Esperou mais alguns minutos, deu treze socos com o punho fechado, cirrado e gelado, tremendo de frio, mas, novamente, nenhuma resposta.
Olhando para o chão, ficou ali, sem saber por quanto tempo até achar que seu coração tivesse sido congelado.
Eis que uma porta abriu, e a luz daquele transporte enorme fez sua retina arder.
...
Há cerca de vinte e seis metros, nao se sabe se horrendos andarilhos ou luxuosos passageiros se entreolharam.
...
Desde o início Ele já sabia.
...
Agora ficou mais fácil achar o caminho.

Meu Infinito... *

Continuo minha peregrinação em um novo deserto, procurando um novo desafio.
Ainda ferido, com a sola dos pés em bolhas e queimadura nos braços, penso que tudo isso é pouco comparado a minha sede que mata.
Sozinho eu continuo minha trilha, sozinho eu corro no meio de terras coloridas, olhando as poucas vegetações existentes nesses lugares tão estranhos e exóticos.
O cheiro de maresia somada as constantes mudanças dos ventos, fazem em alguns segundos, se alterarem trazendo o odor de enxofre ou rosas.
Sigo.
Sem confiar em minha visão, tento me convencer que (às vezes) minha cabeça pode me iludir, assim caminho lutando contra ela.
Ela não irá me vencer.
Sinto que sou um nada andando e correndo no meio de um infinito desconhecido.
Apenas enxergo morros de areia, caminhos possíveis diversos, possibilidades infinitas.
Um horizonte infinito.
Sigo meu caminho guiado apenas pelo meu instinto.
Sozinho caminho em meu caminho.
Não importa a dor que eu sinta. Não importa as lembranças que eu tenha. Eu sei que nunca vou me curar (física e psicologicamente) sentado em uma pedra. (Uma chapa quente tentando me fritar).
Perderia apenas tempo e esperança.
Esperar talvez que alguém apareça.
Esperar alguém que talvez me entenda.
Esperar alguém que talvez me ajude.
Preciso sobreviver, correr contra o tempo em rumo ao futuro.
Se conseguir sobreviver hoje, amanhã pensarei em nova estratégias para os alimentos, descansos e sonhos de vitórias.
Se eu parar, meus mantimentos acabam. Meus desejos aumentam e meus sonhos me torturam.
Sem forças, sou forçado continuar. A buscar meu amanhã. E, se acabar meus mantimentos - e o meu ar - antes do horário, honrarei.
Esses males não vão me atrapalhar, terei forças mesmo quando não considerar ser possível. Vou sobreviver. Gostando, concordando ou não.
Preciso ainda me preparar.
Caso encontre alguma aldeia, sem saber se são confiáveis, não poderei depender.
Mesmo ganhando conforto, refeições e hospitalidade, irei me virar como sempre, com o que eu tenho. Minha mente.
Não permitirei ser vencido sem lutar.
Controlando meus medos e minha mente, controlarei meu ar e minha vida.
Posso controlar minha fome, minha saudade, meus ferimentos.
Posso estabelecer estratégias para lutas não programadas.
Posso até viver.
Por enquanto, hoje.
Caminho, vivo e enfrento.
Minha caminhada, solos e desafios desconhecidos.
Sem olhar para trás, seguindo e construindo meu caminho.
Por enquanto, hoje.

*Agosto de 1997

9 de agosto de 2010

Todos Caminhos Levam a Roma

Sempre quando algum romance entra na corda bamba e é decidido, seja sob pressão, ou por unanimidade, pelo afastamento, conselhos são disparados por todos os lados.
Engracado é que como namorei 12 anos, muitas vezes era (sou) sempre consultado. (Casa de ferreiro.. ops! brincadeira!)

Sempre afirmei categoricamente que nosso destino está escrito. Acredito que uma luz maior já determinou nossas façanhas, quedas, aprendizados e conquistas
(Nosso Deus sabe SEMPRE o que faz).
No caso, eu voto SEMPRE pelo Tempo agir. E costumo dar o exemplo: se você brigar e pedir para NUNCA mais ver fulana... Além de pedir para ela sumir, esteja você com raiva ou ódio e, nem se interessar por qual caminho ou direção ela foi, pode até dar uma de espertinho e sumir também.
Vender tudo e ir morar no Cazaquistão.. E.. se for mesmo a pessoa certa e traçada, se for mesmo a vontade divina, acredite. Ela vai também vai sumir e fugir de você, até você encontrar ela. . Em pleno Cazaquistão.
(Na realidade esse tempo foi uma ação necessária para algum tipo de aprendizado para ambos).

Essa semana aconteceu uma coisa desse tipo.
No sábado, um grande amigo se casou.

Sabem como é. Casamento, são gastos e mais gastos.
É terrivel escolher os convidados a dedo. Não queremos deixar de fora pessoas que consideramos importantes.
Fazemos questão que determinados amigos estejam presentes para compartilhar esse momento tão importante junto a família perante Deus.
A história de duas famílias estão sendo mudadas naquele minuto e você foi um escolhido para presenciar e testemunhar.

O mais interessante e bacana é estar lá e ver que muitas pessoas convidadas são as mesmas que já estiveram ao seu redor, no caso, trabalharam e conviveram num mesmo ambiente profissional.

Muitos que saíram dessa mesma empresa, seja com amarguras e frustrações estavam lá.
Outros, por escolha própria, decidiram sair, se mudar. Alguns partiram para muito longe. Distante mesmo com o intuito de ousar evoluir.

E, nesse momento, estavam muitos ali.
Os mais diversos colegas e amigos que têm algo em comum.

A amizade.

Dezenas de pessoas soltas no mundo que, dentre bilhões de lugares, num determinado e curto momento da vida se cruzaram e, agora, mesmo depois de dias para uns e anos para outros, em razão desse interesse comum, deixaram seus afazeres, e se reuniram.
Em um horário e local dentre outras tantas zilhões de combinações.
(Em comum).

Nada comum.


Novamente.


Parabéns Du, felicidades e juizo sempre!

23 de julho de 2010

Eu quero mais recheio!

Como falei no outro post, estou de férias há duas semanas.
E sabem como é vespera de férias né? Vou fazer isso, aquilo, isso.. e no final.. quase não da tempo para fazer nada.
Entre dormir, bancos, contas, leva e busca... teve copa do mundo... e entre tantos jogos, progredi pouco com minhas expectativas.
Com 20 dias de férias, somado a todos afazeres pendentes, vi praticamente todos os jogos da copa, assisti 27 filmes e estou no 5o livro. Mas acreditem, na minha escala, é pouco.
Ontem ao deitar fui sacar o livro que atualmente estou lendo na cabeceira e, quando abre uma janela de uns três dias ou mais que parei, automaticamente eu volto algumas páginas ou o capítulo todo para recompor a lógica, velocidade e interação da história.
(e claro, teve dia que, após ter parado no 3 ou 4, sem lembrar, tive que comecar de novo).
Isso não é novidade, mas quando saquei o baita livrão que estou lendo (Ah, tem essa, eu gosto de "sagas" ou livros BEM extensos. O que demonstra uma lógica aplicada pelo autor. Ele tem MUITO assunto, acontece MUITA coisa que garante amarrar bem as tramas). Bom, continuando... eu comecei a pensar no talo de paginas que eu já li e imaginei TUDO o que eu já tinha lido desde a primeira página dele.

Esse tipo de pensamento a seguir, pode paracer coisa de doido, mas não é!! rs. Pensar sobre o que pouca gente questiona é um hábito e tanto, aliás, já devo ter citado, (parentêses gigantes), descobri há tempos na net um cara bem bacana que eu sugiro que leiam. Chama-se Marcus e seu blog chama-se SEQUELAS DO PENSAMENTO . Seus textos me dentificam muito e indico todos que chegaram aqui pularem para lá depois. (Ok, mesmo que vc não goste dessas bobeiras todas que escrevo, pode ir mesmo assim, pq o jovem eh bom no que escreve!) blablabla,voltando,,,
Imaginei o que aconteceu até então naquele calhamasso de páginas. "O cara foi ate tal lugar, falou com tres pessoas, e o fato X aconteceu.."
Ótimo, lembro de tudo. TUDO?
Como umas duzentas páginas podem REALMENTE serem resumidas em duas frases?

E aí comeca.... Pense em livros do J Saramago, J Tolkien, S King, G Talease, C Barcellos, Ivan Sant Anna... livros que exigem muitos dados, investigação, argumentos.. muitas situações que posteriormente se amarram e vamos aos desfechos. Mas comecei a pensar mais... isso acontece em todos livros. De Dan Brown, Jorge Amado a JL Rego, Graciliano...
CENTENAS de páginas! Lemos, devoramos palavra por palavra... folhas, páginas, capítulos,.. e "o que aconteceu até agora?" Se pergunte agora isso! Tenho certeza que vc irá reduzir 100 páginas para 2 minutos narrados. E me diga, como pode?? Tudo que foi degustado, nada foi fixado?
Ok, aprendemos muito durante a leitura, desde a ortografia, dialetica, semiotica, ... mas a grosso modo... por que o autor gastou metade da vida escrevendo e criando tudo "isso" para que fosse resumido em um parágrafo?

O recheio do bolo importa sim! Mas basicamente, acabamos guardando somente o começo e o fim.
A conclusão é que o prazer do MEIO, é o que faz valer a pena.
As vezes, nem é especificamente o que nos faz entender ou se concluir algo, mas é o que nos faz deliciar, sorrir e chorar.
Imagine um bolo. Ninguém vê o bolo mastigado, e sim ele na mesa bonitinho intocável ou o prato vazio consumado.
E acho que é isso que muitos se esquecem: Do prazer, das dores, do sofrimento e da harmonia que fez tudo acontecer.
A lambida do amável cão de estimação; apertar o giz nervoso a frente da classe após errar uma equação na lousa; o beijo roubado; entrar no cinema atrasado; a bateria fraca do celular...
O recheio do bolo está nas pequenas coisas. Naquelas que não costumamos lembrar.

E quando ver a ponte ruir, lembrar que por ela, inúmeros governadores abraçaram aquela estrutura (desde o pedreiro até o suicida).
Quando o avô falecer, lembrar de quando ele separava por tamanho, dezenas de parafusos aparentemente inúteis...
Os quarenta minutos, desde estacionar o carro até entrar no estádio, as vezes, vale mais que o jogo todo.

Voltando para o livro... por mais que eu insista nisso. Será eu o único anormal a pensar nessas coisas loucas? (Eu praticamente já viro a página me perguntando se irei lembrar dela quando acabar a obra por completo).
Tenho memória boa, mas queria MESMO era poder lembrar de tudo e todos que o tempo, senhor da razão, filtra e tira de mim.

Quando comecei a lidar com computadores, em cursos de Logo, Basic, Dbase, Pascal, Lotus, Cobol...
1 MEGAbyte era uma quantidade imensurável ao conhecimento humano. Hoje meu chaveiro do carro tem 16 Gigabytes! ou seja: cerveja! Tenho fé que logo possamos resgatar aquele coleguinha japonês do pré-primário que esbarrou comigo e fez com que eu chegasse atrasado na prova oral e fosse chamado, e mais, conseguir, como um HD, responder quem interveio no dialogo do personagem X, na pagina Y, do capitulo Z, do livro B, volume G, edicao P.
Isso se ele nao travar ou queimar.
Ou D e L e t a d
X

.

22 de julho de 2010

A Intersecção

Estou de férias há duas semanas e lembrei que esse blog esta às moscas já há tempos. Na verdade, tenho alguns textos prontos, outros rascunhados, mas queria ir postando algo que não fosse somente loucuras ou nóias pessoais. Acho que, se alguém caiu nessa pagina, deve ler algo descontraído que faça parar, pensar, refletir e talvez sorrir.

Bom, semana passada fui para capital São Paulo e, num certo momento, quando tentei me comunicar (não me perguntem como e porque) com um tailandês, chinês.. (não sei bem ao certo), ele tentou "conversar" com palavras soltas, sem nexo aparente, tempos verbais errados.. não tinha sentindo algum o que eu perguntava e o que ele respondia.
Tentei conversar
conversar em inglês com ele(!), e nada. Até que chegou um amigo desse rapaz que o ajudou com palavras portunholas que acabamos entrando em acordo e entendimento.
Fiquei pensando e contei para minha esposa.. como é engraçado né? Como pode alguem ter uma vida inteira de cohecimento, histórias, estudo e cultura para, talvez num momento único de tentar compartilhar tudo isso, não conseguir se expressar ou se comunicar.
É como alguém te mostrar um cofre. Guardado há 80 anos e você não conseguir abrir simplesmente por não possuir a chave.

Quando tinha seis para sete anos, lembro que estava na divisa do Uruguai com a Argentina e eu queria ir ao banheiro. Não sabia como achar e, pior, não tinha nem ideia - na época - em que língua aquelas pessoas falavam.
Pedi para meu pai perguntar, mas ele nao sabia ao certo qual era o dialeto local. Então, chegou até um esteriótipo típico e perguntou em alemão.

(meu pai, meu heroi)

Quando estávamos caminhando de volta, pedi para ele agradecer a informação. Prestei atencao e aquilo me marcou.
Provavelmente o também turista não sabia que língua falávamos ou qual dialeto local, mas nessa INTERSECÇÃO, tudo foi compreendido.


A viagem na maionese
se dá quando penso nas guerrilhas, curdos, afeganistão, tribos, ocas, coréias.. Se existisse mesmo uma língua única DESDE o INÍCIO com total compreensão, acho sinceramente que tudo seria diferente.

(Não sugiro uma moeda padrão e nem um idioma padrão HOJE, que aliás, já foi proposto). É apenas uma indagação.
Será que se todos partíssemos do ponto comum: comunicação, seríamos povos mais equitativos e respeitadores? Inibiríamos a violência?

Fico imaginando essa intersecção entre povos, culturas, olhares e destinos.

Um exemplo bacana, contemporâneo e romântico sobre e
sse tema são os dois filmes de Cédric Klapisch entitulados respectivamente de "Albergue Espanhol" e sua continuação "Bonecas Russas".
Tarefa para casa: Pense na intersecção. Próxima a você. Entre você e seus conhecidos, vizinhos... Entre seu chefe ou sua própria família.


Poderia ser tudo mais fácil.
Mas claro, por que seria?

Ok, para facilitar (um pouquinho)
:
A \cap B = \{ x | x \in A \land x \in B \}\,
ou
ps - Grato por, na maioria das vezes, eu sempre ter conseguido me comunicar com todos. Familia, trabalho e amigos.

26 de janeiro de 2010

Faculdade de Casamento

Ao contrário de bacharelados em que ficamos alguns anos aprendendo a teoria para depois exercer determinadas funções, o casamento, matrimônio, simplesmente acontece.
Existe sim o "curso de noivos", algumas horas de intensivão mas, no fundo, só aprendemos quando passamos por ele. Ou melhor, pelo "Portal".

Temos anos de convívio, amizade, cumplicidade - aprendizados, erros, acertos, lágrimas e sorrisos - mas no fim, chamamos nossos amigos mais próximos, e celebramos diante de Deus a união.
Simbólica e literalmente diante de Deus e de todas testemunhas que ali escolhemos estar presentes, deixamos, a partir daquela celebração, de pertencer à família de nossos pais, para iniciarmos uma nova família. A "minha".
Entrarei na igreja solteiro e sairei casado.
Uma espécie de "Portal" mágico.
No fundo somos a mesma pessoa. Quem entra e quem sai.
Pergunto "tudo se resume a festa então?"

Mais uma vez, a resposta só aparecerá após passar por isso.
Espiritualmente, racionalmente, emocionalmente TUDO acontece. Ao mesmo tempo.
Aos que desconhecem as consequências: Sim, EXISTE transformações.
Mas essas, em especial a Responsabilidade, acontece implicitamente.
A "ficha" não cai. Alias, não cairá tão cedo.
Tudo acontece sozinho. O tempo manda.
Sempre.
Aprendemos e construimos conforme Sua vontade.
Sim, ao sair da paróquia, igreja, o ex-noivo já foi "transformado".

Complexo? Difícil? Como entender, aprender?
Fácil. O mundo animal nos ensina.
Simplesmente assim. Sem instruções, manuais ou regras.

Ladrão invade casa, violenta mulher e é morto pelo marido

Um engenheiro de 44 anos matou a coronhadas um criminoso que invadiu sua casa, na noite de sábado (2), na Barra do Ribeiro (RS). Segundo a Brigada Militar (BM), o criminoso, armado de um revólver calibre 38, amarrou o dono da residência e violentou a mulher dele. O engenheiro, no entanto, conseguiu se soltar, entrou no quarto, lutou com o criminoso, tomou sua arma e o matou com coronhadas na cabeça. A Brigada Militar foi chamada pelo próprio casal. Segundo a BM, a arma do criminoso tinha a numeração raspada e foi apreendida.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1433479-5598,00-LADRAO+INVADE+CASA+VIOLENTA+MULHER+E+E+MORTO+PELO+MARIDO+DELA+NO+RS.html

7 de janeiro de 2010

A true history

Agora, é claro, aos que conheceram a história do coração.
De um origami de uns 8 cm de papel branco com escritos pretos e cinza, hoje ele é sangue, carne, músculos, cumplicidade, história e amor.
Dessa história, gerou-se minha pessoa, (digamos, a parte de dentro do todo), todo meu interior: razão e emoção.

(...)

"... É este o Mágico de Oz que, usando de bom senso, condecora a cada um deles. O Espantalho recebe um diploma de PHD (em 'Pensamentologia'), o Leão uma medalha por sua coragem, com um conselho: que deixasse de confundir coragem com sabedoria, o que precisava era organizar seus pensamentos. Por fim, ao Homem de Lata, um relógio em formato de coração que faz tic-tac bem alto, com as seguintes palavras do suposto Mágico:
'E lembre-se meu amigo sentimental: Um coração não é julgado por quanto amor ele é capaz de sentir, mas sim por quanto ele é capaz de ser amado pelos outros' ".

Obrigado a todos que fazem minha vida ser mágica.
Obrigado a todos que fazem meu coração transbordar de amor e orgulho por cada um de vocês existirem e me nortearem, transformando-me no que sou.

Não é meramente o que eu sinto e nem por quem eu sinto, mas todos que fazem e me fizeram sentir o que eu sinto.
Se hoje sou o que sou, todos contribuiram para ser assim.
(digamos, a parte de fora do todo) E,
já de certa forma,
completo.
Obrigado!

6 de janeiro de 2010

New year´s day

Mais um que se foi.
A história sendo escrita.
Conquistas memoráveis e
perdas hiper sofríveis.

Mesmo tendo zilhões de ideias e pensamentos, nunca consigo tempo para postar nada, então comecarei aos poucos, pelo menos posto algo.
Palavras ao vento.

Hoje, no dia de Reis, desmontando a árvore de natal, tiro as bolas coloridas, os enfeites natalinos e me senti como um ladrão de alegria.
Levando a alegria do natal embora.
Não! Não sou eu que estou roubando a alegria ou mesmo o Natal, e mais, ele volta!...

Não é nem "no ano que vem!" é nesse 2010 mesmo! daqui a 11 meses e tantos dias... jajá estamos lá de novo.
Daí já viu. Tempo = reflexão.

O que mais ficou em minha mente?
Qual foi o "segundo" que mais me marcou?
Dentre TANTOS!, citarei um:

O demorado abraço que dei nos meus pais quando me casei.
As frases que finalmente consegui pronunciar,
depois de uma vida toda protegido por imensas asas.
Os olhares trêmulos e úmidos que nunca havia percebido.
Tudo o que foi dito e tudo de implícito nos olhares.
Amém.

Um ano em algumas letras:
No trabalho, o departamento vendo ao vivo a posse de Obama com os comentários do colega David "Vocês estão vendo a história sendo escrita";
Mano Menezes desiquilibra campeonatos com ajuda do "Fenômeno", desclassifica o tricampeão mundial na reta final paulista;
Barrichello entra no último suspiro de contratações da F1, pega finalmente um carro bom, uma equipe boa, diferenciações evidentes e mais uma vez, nada de campeonato.
Overdose Max BBB9 e Roberto Carlos 50 anos;
Terminando o turno na agência, colega Rafa com toda costume sutileza nos informa "Parece que o Michael Jackson bateu as botas";
Memoráveis filmes em cinema, entre eles a versao 3D de Era do Gelo 3 e o inigualável UP.
Constante superação de saúde de familiares e super heróis.
Muitos avanços, muitos sorrisos.
Muitos erros servindo como lição para suportar e superar próximas escolhas.
Aprendi apostar: "ALL IN"
Muitas perdas, lágrimas e despedidas.
Saídas. Ausências,
principalmente de pessoas
e de palavras,

como "desculpe"
ou mesmo...

"ok, eu te perdôo".