23 de julho de 2010

Eu quero mais recheio!

Como falei no outro post, estou de férias há duas semanas.
E sabem como é vespera de férias né? Vou fazer isso, aquilo, isso.. e no final.. quase não da tempo para fazer nada.
Entre dormir, bancos, contas, leva e busca... teve copa do mundo... e entre tantos jogos, progredi pouco com minhas expectativas.
Com 20 dias de férias, somado a todos afazeres pendentes, vi praticamente todos os jogos da copa, assisti 27 filmes e estou no 5o livro. Mas acreditem, na minha escala, é pouco.
Ontem ao deitar fui sacar o livro que atualmente estou lendo na cabeceira e, quando abre uma janela de uns três dias ou mais que parei, automaticamente eu volto algumas páginas ou o capítulo todo para recompor a lógica, velocidade e interação da história.
(e claro, teve dia que, após ter parado no 3 ou 4, sem lembrar, tive que comecar de novo).
Isso não é novidade, mas quando saquei o baita livrão que estou lendo (Ah, tem essa, eu gosto de "sagas" ou livros BEM extensos. O que demonstra uma lógica aplicada pelo autor. Ele tem MUITO assunto, acontece MUITA coisa que garante amarrar bem as tramas). Bom, continuando... eu comecei a pensar no talo de paginas que eu já li e imaginei TUDO o que eu já tinha lido desde a primeira página dele.

Esse tipo de pensamento a seguir, pode paracer coisa de doido, mas não é!! rs. Pensar sobre o que pouca gente questiona é um hábito e tanto, aliás, já devo ter citado, (parentêses gigantes), descobri há tempos na net um cara bem bacana que eu sugiro que leiam. Chama-se Marcus e seu blog chama-se SEQUELAS DO PENSAMENTO . Seus textos me dentificam muito e indico todos que chegaram aqui pularem para lá depois. (Ok, mesmo que vc não goste dessas bobeiras todas que escrevo, pode ir mesmo assim, pq o jovem eh bom no que escreve!) blablabla,voltando,,,
Imaginei o que aconteceu até então naquele calhamasso de páginas. "O cara foi ate tal lugar, falou com tres pessoas, e o fato X aconteceu.."
Ótimo, lembro de tudo. TUDO?
Como umas duzentas páginas podem REALMENTE serem resumidas em duas frases?

E aí comeca.... Pense em livros do J Saramago, J Tolkien, S King, G Talease, C Barcellos, Ivan Sant Anna... livros que exigem muitos dados, investigação, argumentos.. muitas situações que posteriormente se amarram e vamos aos desfechos. Mas comecei a pensar mais... isso acontece em todos livros. De Dan Brown, Jorge Amado a JL Rego, Graciliano...
CENTENAS de páginas! Lemos, devoramos palavra por palavra... folhas, páginas, capítulos,.. e "o que aconteceu até agora?" Se pergunte agora isso! Tenho certeza que vc irá reduzir 100 páginas para 2 minutos narrados. E me diga, como pode?? Tudo que foi degustado, nada foi fixado?
Ok, aprendemos muito durante a leitura, desde a ortografia, dialetica, semiotica, ... mas a grosso modo... por que o autor gastou metade da vida escrevendo e criando tudo "isso" para que fosse resumido em um parágrafo?

O recheio do bolo importa sim! Mas basicamente, acabamos guardando somente o começo e o fim.
A conclusão é que o prazer do MEIO, é o que faz valer a pena.
As vezes, nem é especificamente o que nos faz entender ou se concluir algo, mas é o que nos faz deliciar, sorrir e chorar.
Imagine um bolo. Ninguém vê o bolo mastigado, e sim ele na mesa bonitinho intocável ou o prato vazio consumado.
E acho que é isso que muitos se esquecem: Do prazer, das dores, do sofrimento e da harmonia que fez tudo acontecer.
A lambida do amável cão de estimação; apertar o giz nervoso a frente da classe após errar uma equação na lousa; o beijo roubado; entrar no cinema atrasado; a bateria fraca do celular...
O recheio do bolo está nas pequenas coisas. Naquelas que não costumamos lembrar.

E quando ver a ponte ruir, lembrar que por ela, inúmeros governadores abraçaram aquela estrutura (desde o pedreiro até o suicida).
Quando o avô falecer, lembrar de quando ele separava por tamanho, dezenas de parafusos aparentemente inúteis...
Os quarenta minutos, desde estacionar o carro até entrar no estádio, as vezes, vale mais que o jogo todo.

Voltando para o livro... por mais que eu insista nisso. Será eu o único anormal a pensar nessas coisas loucas? (Eu praticamente já viro a página me perguntando se irei lembrar dela quando acabar a obra por completo).
Tenho memória boa, mas queria MESMO era poder lembrar de tudo e todos que o tempo, senhor da razão, filtra e tira de mim.

Quando comecei a lidar com computadores, em cursos de Logo, Basic, Dbase, Pascal, Lotus, Cobol...
1 MEGAbyte era uma quantidade imensurável ao conhecimento humano. Hoje meu chaveiro do carro tem 16 Gigabytes! ou seja: cerveja! Tenho fé que logo possamos resgatar aquele coleguinha japonês do pré-primário que esbarrou comigo e fez com que eu chegasse atrasado na prova oral e fosse chamado, e mais, conseguir, como um HD, responder quem interveio no dialogo do personagem X, na pagina Y, do capitulo Z, do livro B, volume G, edicao P.
Isso se ele nao travar ou queimar.
Ou D e L e t a d
X

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22 de julho de 2010

A Intersecção

Estou de férias há duas semanas e lembrei que esse blog esta às moscas já há tempos. Na verdade, tenho alguns textos prontos, outros rascunhados, mas queria ir postando algo que não fosse somente loucuras ou nóias pessoais. Acho que, se alguém caiu nessa pagina, deve ler algo descontraído que faça parar, pensar, refletir e talvez sorrir.

Bom, semana passada fui para capital São Paulo e, num certo momento, quando tentei me comunicar (não me perguntem como e porque) com um tailandês, chinês.. (não sei bem ao certo), ele tentou "conversar" com palavras soltas, sem nexo aparente, tempos verbais errados.. não tinha sentindo algum o que eu perguntava e o que ele respondia.
Tentei conversar
conversar em inglês com ele(!), e nada. Até que chegou um amigo desse rapaz que o ajudou com palavras portunholas que acabamos entrando em acordo e entendimento.
Fiquei pensando e contei para minha esposa.. como é engraçado né? Como pode alguem ter uma vida inteira de cohecimento, histórias, estudo e cultura para, talvez num momento único de tentar compartilhar tudo isso, não conseguir se expressar ou se comunicar.
É como alguém te mostrar um cofre. Guardado há 80 anos e você não conseguir abrir simplesmente por não possuir a chave.

Quando tinha seis para sete anos, lembro que estava na divisa do Uruguai com a Argentina e eu queria ir ao banheiro. Não sabia como achar e, pior, não tinha nem ideia - na época - em que língua aquelas pessoas falavam.
Pedi para meu pai perguntar, mas ele nao sabia ao certo qual era o dialeto local. Então, chegou até um esteriótipo típico e perguntou em alemão.

(meu pai, meu heroi)

Quando estávamos caminhando de volta, pedi para ele agradecer a informação. Prestei atencao e aquilo me marcou.
Provavelmente o também turista não sabia que língua falávamos ou qual dialeto local, mas nessa INTERSECÇÃO, tudo foi compreendido.


A viagem na maionese
se dá quando penso nas guerrilhas, curdos, afeganistão, tribos, ocas, coréias.. Se existisse mesmo uma língua única DESDE o INÍCIO com total compreensão, acho sinceramente que tudo seria diferente.

(Não sugiro uma moeda padrão e nem um idioma padrão HOJE, que aliás, já foi proposto). É apenas uma indagação.
Será que se todos partíssemos do ponto comum: comunicação, seríamos povos mais equitativos e respeitadores? Inibiríamos a violência?

Fico imaginando essa intersecção entre povos, culturas, olhares e destinos.

Um exemplo bacana, contemporâneo e romântico sobre e
sse tema são os dois filmes de Cédric Klapisch entitulados respectivamente de "Albergue Espanhol" e sua continuação "Bonecas Russas".
Tarefa para casa: Pense na intersecção. Próxima a você. Entre você e seus conhecidos, vizinhos... Entre seu chefe ou sua própria família.


Poderia ser tudo mais fácil.
Mas claro, por que seria?

Ok, para facilitar (um pouquinho)
:
A \cap B = \{ x | x \in A \land x \in B \}\,
ou
ps - Grato por, na maioria das vezes, eu sempre ter conseguido me comunicar com todos. Familia, trabalho e amigos.