25 de novembro de 2010

O homem da voz grave e minhas piruetas

Ouvindo a última faixa do disco novo do Nando Reis, recordei da faixa que nos anos 80 foi o carro chefe de "pirlimpimpim" e da abertura do memorável "Balão mágico". Me trouxe um bem estar lembrar dessa época e, logo em seguida, fui rapidamente procurar uma outra canção, na verdade a introdução dela, que nesta época sempre ouvia.
Lá por volta de 82, eu e minha irmã tínhamos uma vitrolinha e alternadas vezes, escutávamos nossos disquinhos.
Dá saudade de lembrar os vinilzinhos de historinhas "que eram meus", e os de grupo musical "Trem da alegria", "Plunct Plat Zum" (entre outros) da minha irmã... Alguns eram dos dois. Aí no selo central, ou era laranja caravterístico ou branco (com a marca S de som livre no centro). Minha mãe grafava com letras bem circulares e claras (típica das professoras) meu nome no lado A e nome de minha irmã, no B.
O duro era quando eu queria escutar alguma música que pertencia já ao acervo dela.. Como é o caso em questão. A introdução do disco "Casa de Brinquedos" (o disco que tinha a música do Caderno de Chico Buarque) trazia um senhor falando com seu filho. Uma voz bem grave, parecida com a do atual Isaac Bardavid. (Hoje sei que essa voz pertence a Dionízio Azevedo). Me emocionava ouvir aquela introdução, mesmo que não entendesse o que ele dizia. Mas a melodia daquela voz ecoando me trazia ternura, segurança, alegria, felicidade.
Eu sabia com palavras enroladas e inventadas o que ele dizia, porque assim que acabava essa introdução, iniciava a música da Simone "Bicicleta" (uma das favoritas da minha irmã).
Falando em bicicleta, essa semana vi uma matéria na Tv sobre o momento adequado em retirar as rodinhas auxiliares das bicicletas.
E eu lembro bem quando eu andei sozinho e sem rodinhas laterais!
Meu quintal era dividido mentalmente em dois. Lado direito uma mesa de madeira com cadeiras e lado esquerdo uma piscininha. O circuito portanto era fazer vários circulos em volta dos obstáculos ou ousar cruzá-los (fazer o 8).
Eu andava me apoiando na parede.. ralando meu cotovelo. E no mesmo dia que minha irmã conseguiu andar sozinha, eu também consegui. Ela era maior e por isso acho q foi mais fácil. (é que eu não alcançava bem o chão).
Quicando na parede fui dando saltos maiores até conseguir manter a reta por vários metros.
Praticamente o homem descendo na Lua. "um pequeno passo..."
Procurei no Google um modelo igual a ela e achei uma parecida (essa que está postada aí!! só que não era azul e sim vemelha!). O modelo dela foi bem antecessor ao revolucionário BMX Monark, com um visual agressivo do momento; um "tubo" de espuma no quadro (parecido com outro que tinha a frente entre as empunhadeiras amarelas / vermelhas); pedais de cravinhos...
A minha não tinha nada disso, era um modelo "old school" com garupinha e tudo.
Com muita vergonha contarei um epidsósio que guardo com carinho.
Era época de natal e meu pai levou eu e minha irmã para andar no Parque Taquaral. A excitação por andar por terrenos desconhecidos me tomava conta já no caminho dentro da Caravam Diplomata cor caramelo de placas AQ4067 recheada no "chiqueirinho" com nossas bikes.
Chegando lá, eu mal me continha... Já sabíamos andar sem rodinhas então era mostrar ao mundo que eu era capaz de andar de cara ao vento!
Só que a bike dela - com DOIS freios (frente e tras) - era com catraca que vc pedala meia circunferência e a correa pára fazendo aquele barulho característico enquanto ganha velocidade.
E claro, a minha, apenas com freio na roda da frente, era catraca contínua. A correa era em constante engrenagem. Ou seja, se eu parasse de pedalar numa descida, ela continuava girando sozinha os pedais a milhão de quilometros por hora.
E advinhem o que tinha no meu caminho? (Uma pedra? errou). Tinha uma descida.
Mega blaster íngreme. E enquanto via a magrela dela descendo suavemente... eu ja tava tomando coices na canela dos pedais girando freneticamente e, para fechar com chave de ouro, eu gritava "Não consigo parar!".
Um belo conselho surgiu "APERTA O BREQUE!".
Pois é leitor. Eu só tinha freio na roda da frente e, na primeira estancada que dei, afrouxei o punho com toda força.
Parecia um número do Globo da morte.
Dei umas setenta e sete piruetas e acabei parando no mato lááááá embaixo quando a descida acabou.
Nesse dia andamos em locais planos também e valeu o esforço, lembro bem. Algumas horas mais tarde, ao chegar em nossa morada, no momento em que sai do carro, bem na escadinha que dava à porta de casa, estavam lá dois pacotes enormes.
Um era meu.
Tive vontade de chorar de tanta alegria.
Era um carrinho Pegasus de controle remoto que eu tanto sonhava.
Papai Noel tinha entendido minhas preces!
Mas essa já é oooutra história.

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