5 de janeiro de 2011

2010, um rascunho.

Todos já devem saber o quanto eu não gosto destas datas de fim de ano.
Época nostálgica para lembrarmos das coisas boas que ficaram para trás, e as pessoas que não estão mais entre nós.
Sempre assim.
Ja fiz um post sobre as festividades LER AQUI .
Nesse post tentarei fazer um rápido resumão, afinal, ninguém lê, ainda mais se eu escrever uma bíblia totalmente pessoal que não traz interesse a quem cai de paraquedas aqui.
2010 foi Superação.
Meu sobrinho enfrentou a ciência e a matemática.
Sorriu em cada UTI que passou.
Superou diversas provas de fogo, inúmeros procedimentos cirurgicos, entre tantos, a mais delicada operação, no coração.
MMX foi Iluminação.
Esse ano foi excepcional para meu lado profissional. Tudo deu tão certo, em todos sentidos, que se melhorar, capaz de estragar.
Houve um crescimento pessoal e intelectual absurdo.
Aprendi demais sobre muitos valores e amizades.
Dois mil e dez foi determinação.
Li cerca de 15 livros, acompanhei 79 episódios de séries da Tv aberta e fechada e assisti 163 filmes.
Uma média baixa comparada aos últimos anos, mas tudo (sempre) tem uma explicação.
Tudo o que eu faço hoje não é para somente o meu lazer.
Todo tempo que eu tenho ocupado ou livre, não é para somente o meu bem estar.
Hoje sou um marido, com planos e movimentos evidenciando minha família.
Aliás, após completar um ano de casado, após 12 de namoro, todos dias continuo aprendendo.
Palavras e ações.
Atitudes e intenções.
Paciência e orgulho.
@)!) foi dedicação.
Tudo muda todo dia.
Pela segunda vez, realizei junto à D o natal e ano novo em casa.
Família reunida e abraços apertados.
Fogos, sorrisos, fotos, cristais, receitas e brindes.
Respire e tome fôlego.
Dois mil e onze, inovação.

4 de janeiro de 2011

Hotel Cinco Estrelas - Parte 2

ALPHA
O melhor amigo do homem, um cão.
Alpha foi uma husky siberiano que compartilhou 7 anos de alegria e tristezas intensamente junto à familía.
-"Mãe, o Chris trouxe um cachorro!", (risos), -"Você vai cuidar!"
Quando a escolhi diante seus irmãos, ela era a mais espoleta, a mais levada.
Na época seu apelido ao nascer foi "Vaquinha" devido suas manchas negras nas costas.
Alpha foi tudo que um animal pode ser. Inteligente, levada, irritante, dócil, amiga e amorosa.
O privilégio em compartilhar tanto tempo fez suas marcas.
Todos os dias, nos mesmos horários, brincava com ela.
Ela sentava na porta da cozinha e ficava lá. Horas vendo minha mãe cozinhar.
Eu chegava de mansinho e mesmo ela me vendo pelo cantinho do olho, me ignorava (não alterava a direção do focinho). Eu ia chegando perto (me fazendo se esconder) e ela continuava olhando para frente. Até o momento em que a abraçava.
Normalmente eu via ela sorrir e ao sentir seu abraço, e retribuia com uma tímida lambidinha.
Quando a abraçava sentada, inclinava minha testa e encostava minha têmpora em sua orelha, e docilmente, ela retribuia.
Aqueles pêlos, abrigo.
Aquele silêncio, magia.
Assim por dezenas de minutos.
Acompanhava os pesados piscares de olhos, a respiração lenta e profunda.
Era único e mais, ela fazia isso apenas comigo.
Era travessa.
Sabia que todos chamariam sua atenção quando entrava dentro de sua casinha de madeira e a "cavocava".
Raspava as unhas sucessivamente por mais de um minuto.
Pela janela de meu quarto, podia ver apenas o telhado da casinha. Então quando alguém a advertia, ela parava e uns três segundos depois seu focinho aparecia pela metade em minha vista superior.
Se ninguém falasse nada, ela continuava. Era atenção.
A mesma retalhação era feita por exemplo se meu pai fosse ler o jornal no quintal. Ela ia disfarçando, disfarçando e pulava com as duas patas frontais em seu colo. Ao adverti-la ela saia correndo. Como bala.
Zigue zagues. Voltas no próprio eixo.
E claro, descia correndo mais de vinte degraus e entrava na casinha para... arranhar e chamar atenção.
Alpha teve um derrame e uma sucessão de problemas a deixou imóvel e internada por dias.
E desde então, nunca mais voltou.
Fisicamente.
Alpha, a melhor amiga do homem.

* "Alpha", além de ser a primeira letra do alfabeto grego, significa, numa alcatéia, quem é o lider do bando.

Hotel Cinco Estrelas - Parte 1

Meu tio.
Ensinou a dura dor em perder alguém na família.
Ele foi o primeiro e, mesmo criança, o vazio e a saudade significava medo, dor, dúvidas e insegurança. Algo desconhecido, um livro sem final.
Lembro de finais de tarde ao esteriótipo estilo Vinicius de Moraes. Lá pelas 19, 20 horas, ao som de jazz e clássicos dos anos 60, o via na penunbra de sua sala. Sentado numa poltrona com uma rala barba por fazer, sorria e acompanhava lentamente com as pálpebras as canções.
Se prestasse muita atenção, sentia o ritmo com leves inclinações no rosto em direção aos ombros.
Em seu colo, um copo de whisky com o típico barulho de cubos de gelo se batendo, enfrentando a borda do cristal.
O cheiro da colônia; o despertar do rádio relógio; o pigarrear nas tragadas de cigarro sob o jornal de domingo bem cedo sob a mesa, ao forte cheiro de café fresquinho.
Com as pernas cruzadas em uma cadeira de madeira com vime e joelhos balançando, escreveu num guardanapo: "O Danilo vai entrar em medicina na Puc-Campinas na segunda chamada". Datou, assinou e com durex fixou na parede ao lado da mesa de jantar.
Lembro com exatidão de suas risadas e principalmente, do tom grave de sua a voz sempre que necessária numa intervenção do pai e chefe da casa, sempre com a palavra final.
Atrás do grosso aro de seus óculos, um homem tão sério, que muitas vezes passava desapercebido o tamanho do seu sorriso e coração.
Sua barba por fazer raspava minha bochecha sempre que o cumprimentava após as missas de domingo.
Depois de o ver jogar futebol em seu pesqueiro no time dos casados, eu e meus primos entravámos empolgados e inspirados em campo. Muita correria e pouca habilidade. Ele saiu do quiosque ao lado do campo e foi até a beirada do gramado: "Se vocês não tocarem a bola, não farão gols".
Homenzarrão.
Homemzazão.

Ps: Meu primo 'Danilo' entrou na segunda chamada de medicina na Puc-Campinas.